'Acordo de paz está pronto em 90%', diz Zelensky aos ucranianos

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou na quarta-feira que seu país está a “10%” de alcançar um “acordo de paz” com a Rússia, mas que ainda restam as questões mais importantes a decidir e advertiu contra um acordo que recompense Moscou. Em seu discurso de Ano Novo, o mandatário afirmou que a Ucrânia quer pôr fim à guerra, mas não “a qualquer preço”, e que qualquer acordo deve incluir sólidas garantias de segurança para dissuadir Rússia de voltar a invadir seu território. Drones, IA e 'enxames': as armas que podem redefinir as guerras em 2026 e tornar combates 'eternos' Rússia divulga imagens de suposto drone da Ucrânia usado em ataque contra a residência de Putin; veja vídeo "O acordo de paz está pronto em 90%, faltam 10%. E isso é muito mais do que apenas números", disse Zelensky na mensagem em vídeo publicada em sua conta no Telegram. “Esse é o 10% que determinará o destino da paz, o destino de Ucrânia e Europa”, acrescentou. Estados Unidos tentaram elaborar um acordo de paz com contribuições tanto de Moscou quanto de Kiev, mas não conseguiram alcançar um avanço decisivo na questão central do território. Rússia divulga imagens da implantação de mísseis com capacidade nuclear na Bielorrússia O presidente russo, Vladimir Putin, pressiona para obter, como parte do acordo, o controle total da região oriental de Donbass, na Ucrânia, mas Zelensky afirmou em seu discurso que não acredita que Rússia se detenha ali caso Ucrânia se retire. A Rússia ocupa cerca de 20% da Ucrânia, e Kiev afirmou que ceder território apenas servirá para encorajar Moscou. “‘Retirem-se do Donbass e tudo terá terminado’. É assim que soa o engano quando se traduz do russo para o ucraniano, para o inglês, para o alemão, para o francês e, na verdade, para qualquer idioma do mundo”, declarou Zelensky. Crer na vitória O líder ucraniano falou horas depois de autoridades americanas, incluindo o enviado especial Steve Witkoff, conversarem com assessores de segurança ucranianos e europeus sobre os próximos passos para pôr fim ao conflito de quatro anos. A guerra deixou uma avalanche de destruição, que deslocou milhões de pessoas e transformou cidades inteiras de Ucrânia em escombros. Putin instou seus compatriotas a acreditar na vitória durante sua mensagem de Ano Novo. Dirigindo-se aos soldados, a quem chamou de “heróis”, Putin declarou: “Acreditamos em vocês e em nossa vitória”. O Kremlin afirmou nesta semana que “endureceria” sua posição negociadora sobre o fim da guerra, após acusar a Ucrânia de lançar drones contra a residência de Putin na região de Novgorod. Moscou classificou essa ação como um “ataque terrorista” contra Putin. No entanto, o Instituto para o Estudo da Guerra dos Estados Unidos, que documenta o conflito na Ucrânia, afirmou na terça-feira que não havia visto “imagens ou relatos que normalmente são observados após ataques ucranianos para corroborar as alegações do Kremlin”. Putin não comentou publicamente o ataque, embora o Kremlin tenha dito que o governante informou a Trump sobre o ocorrido em uma ligação telefônica.