El Paraíso: como é o resort nudista escondido próximo a Buenos Aires, na Argentina

Paraíso está localizado a cerca de 40 quilômetros da cidade de Buenos Aires e oferece opções para todos os gostos. Trata-se de uma propriedade de seis hectares com piscina, cercada pela natureza, e que oferece uma ampla gama de atividades. E todas elas podem ser desfrutadas completamente nu . Novidade: Kim Jong-un inaugura resort de luxo em região montanhosa na Coreia do Norte Veja vídeo: Avalanche em resort na Áustria deixa ao menos oito pessoas soterradas e grande operação de resgate é mobilizada — É lindo, é grande, tem muita natureza e muitas opções para se divertir. Pessoas de todas as classes sociais e comunidades vêm aqui. Aqui estamos todos nus, somos todos iguais — disse Marcelo Pallini, o proprietário do espaço. Localizada em Moreno, a entrada fica na Avenida General Savio, 5402. Uma placa com o nome "El Paraíso" indica a entrada. Para chegar à propriedade, é preciso seguir por uma estrada de terra e atravessar uma pequena área arborizada que leva à entrada principal. Roxana e César, um casal de aposentados de Concordia, viajaram 450 quilômetros especificamente para visitar o local. — Sempre fui muito introvertido. Mas cheguei aqui, tirei a roupa e conversei com todos. Quando me visto de novo, é difícil. Na primeira vez que vim, não falei com ninguém. Conheci um homem e caminhamos o dia todo. Você acha que falamos sobre sexo? Não. Ele era judeu e eu cristã. Ele me contou sobre a religião dele e eu contei sobre a minha. Nus, conversando sobre religião — explicou César. R$ 1 bilhão da Mega da Virada: quantas idas à Disney, ilhas nas Maldivas e viagens ao espaço cabem no prêmio O local recebe visitantes de todo o país — Mar del Plata, Córdoba e Rosário, entre outros destinos — e também turistas estrangeiros: brasileiros, uruguaios e europeus. Alguns vêm apenas para passar a tarde; outros ficam por vários dias, semanas ou até mesmo a temporada inteira. — Pagamos pela temporada e aproveitamos muito. Somos felizes aqui . No dia a dia, as roupas fazem diferença: quem tem tênis caro, quem não tem. Aqui somos todos iguais. Não há dinheiro envolvido — disse Roxana. "O Caminho da Paixão", um dos cartões-postais do resort de nudista El Paraíso Tadeo Bourbon / LA NACION Durante muitos anos, o local foi conhecido como El Palo Verde. Segundo o antigo proprietário, a propriedade valia um milhão de dólares, daí o nome. O local também ficou marcado por um escândalo: uma denúncia anônima de tráfico de crianças. "Nenhum menor jamais esteve lá, mas, enfim, a denúncia foi feita", recorda Juan, que agora administra o bufê com sua namorada, Susi. Alguns anos depois, o antigo proprietário faleceu e a propriedade foi abandonada. Pallini decidiu comprá-lo pouco depois. Ele costumava frequentar o local e soube dele por meio de uma recomendação em um clube de swing. — Uma moça do guarda-volumes, que veio com o marido, me falou sobre este lugar. Levei cerca de um ano para vir, porque ir a um clube de swing à noite é uma coisa, e ir a um resort nudista em plena luz do dia é outra completamente diferente — explicou. Conheça Kiribati, o primeiro país a celebrar a chegada de 2026 O objetivo deles hoje é deixar para trás a má reputação do passado e transformar a propriedade em um espaço seguro e aberto a toda a comunidade. Desde a sua reabertura há dois anos, o resort passou por diversas reformas. Oferece um buffet disponível o dia todo, novas acomodações e várias áreas de lazer e relaxamento. El Paraíso está aberto todos os dias do ano, das 8h às 18h. As opções de acomodação são variadas, permitindo que você passe de uma tarde a vários dias no local. A opção mais econômica é a área de barracas, com o preço de US$ 25.000 por noite, mais a taxa de entrada (que varia de US$ 30.000 a US$ 35.000 para casais e homens solteiros de segunda a sexta-feira, e sábado e domingo, respectivamente; e de US$ 10.000 a US$ 15.000 para mulheres). Há também cinco cabanas, as acomodações mais acessíveis, a US$ 35.000 por noite, com a taxa de entrada incluída. Quartos estilo albergue estão disponíveis por US$ 100.000 por noite, e dez apartamentos totalmente equipados são oferecidos por US$ 150.000 por dia. Nestes dois últimos casos, a taxa de entrada está incluída. O local pode acomodar até 1.200 pessoas, e a ocupação é alta nos fins de semana. — Em um fim de semana, há mais de 100 ou 150 pessoas acampando — observou Pallini. Até a temporada passada, o nudismo era obrigatório em todo o resort. Para atrair mais visitantes, essa exigência foi flexibilizada: agora, aplica-se apenas à área da piscina. Lá, os homens devem estar completamente nus e as mulheres podem usar a parte de baixo do biquíni, mas devem ficar com os seios à mostra. — No restante da propriedade, exceto na área da piscina, você pode circular como quiser. Se quiser ficar nu, fique nu; se quiser se vestir, vista-se. É incrível, porque muitas pessoas que não eram nudistas vieram. Você as vê vestidas de manhã e, às cinco da tarde, já estão nuas, porque veem todo mundo e se sentem mais à vontade — explicou Pallini. Almendra, frequentadora assídua do local, foi sozinha pela primeira vez há um ano: — Vi o anúncio no Instagram. Despertou minha curiosidade. Hesitei mil vezes, mas vim. Meu maior medo era o meu corpo: o que as pessoas diriam? Mas cheguei e esses preconceitos desapareceram. Você vê corpos reais. Ninguém julga ninguém. O primeiro desafio foi a piscina: — Cheguei de biquíni e o salva-vidas, com muita gentileza, explicou que a nudez era obrigatória naquela área. Foi difícil, mas consegui. E me disseram: 'Se você se sentir insegura, há seguranças; você pode falar com eles. Se você se sentir mal, há o posto de primeiros socorros.' Ficar nua elevou minha autoestima a outro nível. Aqui, não existe um corpo ideal para imitar. Você é quem você é. E ao não usar roupas, você não finge ser alguém que não é . Para aqueles que visitam e vivenciam o Paraíso, significa ser livre, sentir-se seguro e aceitar a si mesmo como se é. Um casal da zona oeste da cidade, Fer e Nani, frequentam o local desde a reabertura. — Fala-se muito sobre o corpo ideal, mas ele não existe: ninguém fica encarando ninguém. As pessoas olham nos seus olhos. Você é uma pessoa antes de ser um corpo. Só pode haver uma Pampita. Isso ajuda mais as pessoas que têm problemas com a imagem corporal, porque elas vêm, se veem, veem os outros, se aceitam, e é aí que começa o caminho para a libertação. Já tivemos pessoas muito bonitas aqui, e elas também têm problemas de autoestima — explicou Fer. Nani costuma vir sozinha e se sente segura. — O mais importante é sentir-se acolhida. Como mulher, isso é fundamental , e aqui eu realmente me senti apoiada. Vim sozinha para estudar para as provas da universidade, e a paz e o sossego... o respeito reinam. Às vezes, até convido pessoas que não são da área. Todos nós cuidamos uns dos outros. A privacidade é outra regra fundamental. — Para os recém-chegados que ainda estão hesitantes: celulares não são permitidos aqui. Você pode ficar nu com total tranquilidade, porque ninguém vai filmar ou tirar fotos. Esse aspecto é muito bem protegido — explicou Verónica, companheira de Pallini há mais de dez anos. O paraíso também serve como um espaço para quebrar preconceitos. — A Argentina está um passo atrás nesse aspecto. Eu converso com amigos sobre isso e eles não entendem: acham que, como todos estão nus, estão todos fazendo sexo, ou que você entra e alguém te toca. Não, aqui ninguém te toca. No nudismo, ninguém te toca — disse Fer. Além do nudismo, Pallini incorporou o swing ao acampamento. "Comecei a abrir para a comunidade LGBT+, para a comunidade swing; abri para todos com mais de 21 anos", disse ele. César destacou a singularidade do espaço: — Você não encontrará um lugar como este em nenhum outro lugar da América do Sul. Você pode encontrar nudismo de um lado e swing do outro, mas juntos assim, é único . — Sim, você pode fazer sexo ao ar livre, se quiser. E se não quiser, pode andar cinco quarteirões na direção oposta e não verá nada — explicou Pallini. A propriedade oferece diversas opções para swingers ou para quem deseja realizar suas fantasias. Há o "Caminho da Paixão", uma trilha na natureza com áreas externas, além de espaços internos projetados para encontros íntimos. Em relação aos limites internos, ele esclareceu:: — Não se pode fazer nada na área da piscina, nem dentro da própria piscina. Depois disso, pode-se ir a qualquer lugar. Há vários projetos futuros. "Estamos sempre pensando em coisas novas. Queremos ter duas salas temáticas, por exemplo, uma prisão. Vamos trazer jogos que normalmente são encontrados em clubes de swing para usar aqui durante o dia." — Também tenho planos de construir uma sauna e adicionar uma jacuzzi, mas isso será no futuro, aos poucos. Esta é apenas a nossa segunda temporada — acrescentou. O objetivo de Pallini é incentivar as pessoas a visitarem o local mesmo fora da temporada e torná-lo atraente durante os 365 dias do ano. — Temos que encontrar uma maneira de fazer isso. Acho que vamos conseguir aos poucos, mas vai levar tempo. Porque o inverno aqui não é o mesmo que na capital. Eu ficaria feliz com dois meses ruins. Mas não oito — explicou. E concluiu com seu sonho mais ambicioso: — Meu sonho é criar meu próprio bairro nudista. Sei que pode parecer loucura, mas adoraria que fosse como Cap d'Agde