A morte de Brigitte Bardot, ocorrida em sua villa La Madrague, em Saint-Tropez, no domingo, dia 28, marca o fim de uma era: BB foi o último ícone vivo do cinema francês das décadas de 1950 e 60, e um símbolo sexual cuja persona encapsulou as transformações culturais da segunda metade do século XX. “Seus filmes, sua voz, sua fama deslumbrante, suas tristezas, sua generosa paixão pelos animais…”, disse o presidente francês Emmanuel Macron em seu discurso de despedida… “Lamentamos a perda da lenda do século”, acrescentou. Das polêmicas ao ativismo: quem foi Brigitte Bardot, estrela do cinema que morreu aos 91 anos na França Perdas: Arlindo Cruz, Preta Gil, Ozzy Osbourne, Brigitte Bardot... as mortes de famosos que marcaram 2025 Desde o momento em que sua figura harmoniosa, cabelos loiros despenteados e atitude despreocupada apareceram pela primeira vez na tela, Brigitte tornou-se sinônimo de beleza indomável, liberdade e provocação, dando origem ao explosivo fenômeno Bardot, que transcendeu a ficção e moldou o imaginário de três gerações (uma estrela mundialmente famosa, que em um ano gerou mais divisas para a França do que a marca Renault). Antes de seu último suspiro, ela passou três semanas hospitalizada em Toulon, no sudeste do país, para uma cirurgia relacionada a uma “doença grave”. No controle de sua própria vida até o fim, a diva, que recusou cirurgia plástica, maquiagem ou tingir os cabelos grisalhos, morreu longe dos olhos do público e cercada por seus animais. Mas, apesar de seu desejo de ser enterrada em seu jardim, Bardot será sepultada no cemitério marítimo de Saint-Tropez, onde seus pais estão sepultados. Primeiros anos Ela nasceu em Paris, em 28 de setembro de 1934, com o nome de Brigitte Anne-Marie Bardot, em uma família de classe média (seu pai era dono de uma fábrica de produtos químicos). Desde jovem, estudou dança clássica, disciplina para a qual demonstrou talento precoce, e antes de completar 15 anos, enquanto os traços rebeldes que a tornariam famosa começavam a se manifestar, ela já era modelo para revistas adolescentes: era uma jovem de sorriso travesso que apareceu na capa da Elle e enlouqueceu os olheiros de talentos do cinema, entre eles Roger Vadim, assistente de direção que foi seu primeiro marido e que também a transformaria em uma estrela. 'Beleza estranha': como a crítica brasileira reagiu ao ver Brigitte Bardot no cinema pela primeira vez Deusa do cinema Sua estreia no cinema aconteceu aos 17 anos em *Le Trou Normand*, mas seu reconhecimento mundial veio cinco anos depois com *E Deus Criou a Mulher*, dirigido por Roger Vadim. Este filme escandalizou muitos e fascinou outros tantos, retratando uma mulher no controle de seus desejos, que desafiava as convenções morais da época, vivendo sua sexualidade sem tabus. E assim nasceu um ícone erótico de magnitude comparável apenas à de Marilyn Monroe. Nos anos seguintes, Brigitte trabalhou com diretores como Jean-Luc Godard, Louis Malle, Henri-Georges Clouzot e Christian Jaque, e no final da década de 1950, ela havia se tornado a maior estrela do cinema europeu e a única a rivalizar com as estrelas de Hollywood em fama sem nunca ter pisado nos Estados Unidos. No entanto, sua imagem pública como Brigitte Bose-Brentz era tão poderosa que seu desempenho artístico sempre foi injustamente ofuscado. Amores Seu casamento com Roger Vadim aconteceu em 21 de dezembro de 1952, no altar da igreja Notre-Dame de Grâce, em Passy, após dois anos de luta contra a oposição dos pais. Com ele, Brigitte descobriu o cinema, o amor e a sexualidade, e finalmente se libertou da rígida educação que recebera em casa. Mas logo se apaixonou por seu colega de elenco, Jean-Louis Trintignant, que também era casado, e embora o relacionamento tenha sido breve, eles viveram juntos por um tempo. Em 1959, conheceu Jacques Charrier, que se tornaria seu segundo marido e pai de seu único filho, Nicolas, nascido em 1960. Como ela mesma revelou, tinha pavor da maternidade. Naquele mesmo ano, durante as filmagens de *La Vérité* (A Verdade), divorciou-se de Charrier, que ficou com Nicolas. Grande parte do público e da imprensa francesa nunca a perdoou por abandonar o filho, embora ele a tenha perdoado: com o tempo, BB e Nicolas se reconciliaram. Tyler Perry: magnata do cinema americano é alvo de novo processo por agressão sexual; veja o que se sabe Em 1966, ela se casou pela terceira vez. Desta vez, o casamento foi em Las Vegas, e o noivo era o playboy alemão Gunter Sachs, herdeiro milionário do império Opel, que conquistou seu coração lançando milhares de pétalas de rosa de um helicóptero sobre o jardim de La Madrague. Eles mal se viam, ambos eram infiéis e, como era de se esperar, o casamento foi de curta duração: seis anos depois, Brigitte se casou com seu último marido, Bernard d'Ormale, um dos assessores do político Jean-Marie Le Pen. Paixão por animais No final da década de 1960, cansada da fama, Brigitte Bardot decidiu se aposentar do cinema com apenas 37 anos. A partir desse momento, dedicou-se inteiramente aos direitos dos animais e cumpriu esse compromisso com paixão e disciplina (tornando-se também vegetariana). Em 1986, criou a Fundação Brigitte Bardot, financiada com a venda de seus pertences pessoais e joias, e até sua morte, seu ativismo em prol dos animais a manteve em evidência. Seu refúgio Bardot encontrou seu verdadeiro lar em 1958, quando descobriu uma joia em Saint-Tropez pela qual se apaixonou: La Madrague. Construída em estilo mediterrâneo, a propriedade de 350.000 metros quadrados é feita de pedra e dividida em quatro níveis. Possui oito quartos e oito banheiros, uma casa de hóspedes, vinhedos, piscina e um píer próprio. Com sua vegetação quase natural, a única modificação que ela fez foi a construção de muros para proteger sua privacidade dos paparazzi e curiosos. Era o seu lugar no mundo, seu refúgio por mais de sessenta anos.