O dólar global, medido na comparação com moedas fortes, encerrou 2025 com a maior queda anual desde 2017, e investidores afirmam que novas desvalorizações estão por vir caso o próximo presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) opte por cortes mais profundos nos juros, como é esperado. Por que o Ibovespa subiu tanto no ano? Entenda o que levou o índice a registrar 32 recordes em 2025 apesar dos juros tão altos Ouro dispara mais de 60% em 2025: vale a pena investir no metal no ano que vem? Um índice que mede o ímpeto do dólar feito pela agência Bloomberg registrou desvalorização de cerca de 8% neste ano, e operadores apostam em mais fraqueza da moeda. No câmbio com o real, a moeda americana desvalorizou 11% em 2025, a maior queda em um ano desde 2016. Mas o que levou a moeda americana a registrar essa performance negativa no ano passado? Ela ainda tem espaço para continuar? Após despencar na esteira do anúncio das tarifas do presidente Donald Trump em abril, o dólar não conseguiu se recuperar de forma significativa, em parte devido à expectativa de que Trump indique um sucessor de perfil mais “dovish” (inclinado a juros mais baixos) para o presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina no próximo ano. — O maior fator para o dólar no primeiro trimestre será o Fed — disse Yusuke Miyairi, estrategista de câmbio da Nomura. — E não se trata apenas das reuniões de janeiro e março, mas também de quem será o presidente do Fed depois que Jerome Powell encerrar seu mandato. Com pelo menos dois cortes de juros já precificados para o próximo ano, a trajetória da política monetária do Fed se afasta da de alguns de seus pares em economias desenvolvidas, reduzindo a atratividade do dólar. Além do consumo: alto endividamento das famílias freia até mesmo a concessão de novos empréstimos Operadores ampliaram suas apostas contra a moeda americana na semana encerrada em 23 de dezembro, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) divulgados na quarta-feira. O mercado de opções sinaliza mais fraqueza do dólar em janeiro, com alguma moderação nos meses seguintes. O euro se valorizou fortemente frente ao dólar, à medida que a inflação comportada e uma esperada onda de gastos europeus com defesa mantêm praticamente zeradas as apostas em cortes de juros na zona do euro. No Canadá, na Suécia e na Austrália, por sua vez, os traders apostam em altas de juros. Trump insinuou recentemente que já tem um candidato preferido para suceder Powell, mas afirmou não ter pressa em fazer o anúncio — ao mesmo tempo em que cogitou a possibilidade de demitir o atual chefe do banco central. Em meio a tensões geopolíticas e incertezas: cotação da prata supera US$ 75 pela primeira vez O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, há tempos é visto como o principal candidato, enquanto Trump também manifestou interesse no ex-diretor do Fed Kevin Warsh. Os atuais diretores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, além de Rick Rieder, da BlackRock, também são considerados nomes na disputa. — Hassett já estaria mais ou menos precificado, já que é o favorito há algum tempo, mas Warsh ou Waller provavelmente não seriam tão rápidos em cortar os juros, o que seria melhor para o dólar — disse Andrew Hazlett, operador de câmbio da Monex Inc. Initial plugin text