Quase todo mundo que tenta emagrecer já se pegou repetindo alguma dessas frases. Elas surgem em dias cansativos, semanas estressantes ou momentos de frustração, sempre com um tom convincente. O problema é que, quando essas justificativas se acumulam, o emagrecimento deixa de ser interrompido por exceções e passa a ser bloqueado por padrão. É nesse ponto que a auto-sabotagem entra em cena. Casa de famosos no Rio: conheça bairros queridinhos onde artistas possuem mansões e apartamentos luxuosos Famosos brasileiros apostam em imóveis no exterior; saiba motivo por trás do investimento A auto-sabotagem não costuma aparecer como desistência explícita. Ela se manifesta em decisões aparentemente pequenas, como adiar o início do plano, flexibilizar demais a alimentação após um dia difícil ou aceitar que o cansaço é motivo suficiente para não se movimentar. Essas escolhas aliviam a pressão imediata, mas mantêm o comportamento que impede o avanço. O processo não falha por desconhecimento, falha porque o desconforto da mudança é constantemente negociado. Segundo o cirurgião geral Gabriel Almeida, que também atua com acompanhamento em emagrecimento, uma das desculpas mais comuns é a falta de tempo. “O discurso do ‘não tenho tempo’ geralmente esconde uma dificuldade de priorização. Não é ausência de horas, é excesso de concessões”, explica. Quando a rotina está cheia, qualquer esforço extra parece pesado, e a saúde acaba ficando sempre para depois. Outra justificativa frequente é a genética. Embora fatores hereditários influenciem o metabolismo, usá-los como sentença definitiva costuma funcionar como um freio emocional. A pessoa se convence de que não adianta tentar e reduz o próprio investimento no processo. “A genética pode interferir no ritmo, mas não impede a mudança. Quando ela vira desculpa, o comportamento já foi abandonado antes mesmo da tentativa”, afirma o médico. A promessa constante de recomeçar também faz parte desse ciclo. O clássico “segunda-feira eu volto” cria a sensação de controle sem exigir ação imediata. O adiamento vira conforto, e o início nunca chega. Com o tempo, a pessoa não apenas deixa de emagrecer, como passa a desconfiar da própria capacidade de cumprir o que promete. Há ainda a fome emocional, muitas vezes disfarçada de merecimento. Comer passa a ser recompensa após dias difíceis ou alívio para ansiedade e frustração. O problema não está no ato isolado, mas na repetição. “Quando a comida vira resposta automática ao estresse, o emagrecimento deixa de ser uma questão nutricional e passa a ser comportamental”, explica Gabriel Almeida. Para o médico, romper a auto-sabotagem exige mais honestidade do que rigidez. Em vez de buscar perfeição, o caminho está em reconhecer padrões e reduzir as negociações internas. “O emagrecimento começa a andar quando a pessoa para de discutir consigo mesma todos os dias e passa a criar acordos mais claros”, afirma. No fim, as desculpas não são o problema em si. Elas são sintomas. Sintomas de cansaço, sobrecarga, medo de falhar ou dificuldade de mudar a rotina. Quando isso é reconhecido, o processo deixa de ser uma briga interna e passa a ser uma reorganização possível. Como resume Gabriel Almeida, “quem entende por que se sabota, começa a parar de se sabotar”.