Dezembro costuma chegar repleto de refeições compartilhadas, sobremesas repetidas e comemorações que se estendem até altas horas da madrugada. Entre pudins, tortas e bebidas doces, o consumo de açúcar e farinha tende a aumentar mais do que o normal. Dias depois, o corpo começa a enviar sinais claros, como fadiga persistente, desconforto digestivo, sede constante e uma sensação geral de mal-estar. Esse desconforto tem uma explicação fisiológica. Especialistas citados por veículos de comunicação como EatingWell e Harvard Health concordam que, após uma alta ingestão de açúcares e carboidratos simples, ocorrem picos temporários de glicose no sangue. Na maioria das pessoas saudáveis, o corpo consegue regular esses picos rapidamente, mas durante esse processo, podem surgir sintomas desconfortáveis, comumente conhecidos como "ressaca de açúcar". O corpo após o excesso A endocrinologista Karla Saint Andre, do Houston Methodist Hospital, explica que, quando os níveis de açúcar no sangue aumentam abruptamente, o corpo responde liberando insulina para compensar. Em alguns casos, essa resposta pode levar a uma queda subsequente nos níveis de açúcar no sangue, causando fadiga, tontura, irritabilidade ou dificuldade de concentração. Embora esses episódios sejam geralmente temporários, sua ocorrência frequente pode ter consequências a longo prazo. Especialistas alertam que o problema não é um único dia de excessos, mas sim a transformação disso em um hábito. Com o tempo, picos constantes de açúcar podem promover resistência à insulina e aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2, além de impactar negativamente a saúde cardiovascular e metabólica. Retome sua rotina sem punição. Diante do desconforto subsequente, muitas pessoas optam por pular refeições ou iniciar dietas restritivas para "compensar". No entanto, nutricionistas como Marissa Beck e Alexis Silver apontam que essa reação costuma ser contraproducente. Restringir a alimentação após excessos alimentares aumenta a ansiedade e eleva a probabilidade de desenvolvimento de outros transtornos alimentares. David Ludwig, endocrinologista da Harvard Health, concorda que a recuperação não exige medidas drásticas, mas sim o retorno aos hábitos normais. Os especialistas insistem que a saúde se constrói com base em comportamentos consistentes ao longo do tempo , e não em decisões extremas tomadas por culpa. O que ajuda na recuperação? Uma das principais recomendações é não pular refeições e começar o dia com um café da manhã equilibrado. Alimentos ricos em proteínas e fibras ajudam a estabilizar o açúcar no sangue e a reduzir a vontade de comer doces mais tarde. Iogurte grego, ovos, frutas inteiras, sementes e grãos integrais estão entre as opções sugeridas por especialistas. A hidratação desempenha um papel fundamental. Vários especialistas concordam que parte do desconforto após o consumo excessivo de açúcar pode estar relacionado à desidratação. Beber água regularmente auxilia a digestão, ajuda o organismo a se regular e melhora o bem-estar geral. Movimentos suaves também ajudam. Caminhar, alongar-se ou praticar atividades físicas leves ajudam o corpo a utilizar a glicose disponível e melhoram o humor. Não se trata de exercícios intensos, mas sim de manter o corpo ativo enquanto ele recupera o equilíbrio. O que evitar Entre as recomendações mais frequentes está a de evitar dietas extremas e jejum forçado. Essas práticas não só não aceleram a recuperação, como também podem perpetuar ciclos de culpa e falta de controle. Recomenda-se ainda reduzir o consumo de bebidas açucaradas e optar por água, chás de ervas ou café sem adição de açúcar. Além de recomendações específicas, os especialistas enfatizam algo menos visível, mas igualmente importante: evitar a culpa. Nenhum excesso isolado define a saúde de uma pessoa. Retomar hábitos simples, ouvir o próprio corpo e seguir em frente sem se punir permite recuperar o equilíbrio sem abrir caminho para novos problemas.