Com o novo ano, chegam também as resoluções de ano novo. Muitos de nós podemos estar fazendo aquelas promessas familiares de sermos mais saudáveis, fazer aquela viagem que sempre sonhamos ou aprender um novo idioma. Mas se você está entre os muitos que desejam ser mais conscientes em 2024, certamente não está sozinho. Atenção plena envolve estar atento ao momento presente e vivenciar as experiências sem julgamento. Significa estar mais atento às nossas próprias necessidades, bem como às necessidades e ao bem-estar daqueles que nos rodeiam. Embora muitas pesquisas em psicologia tenham demonstrado que a atenção plena pode ajudar a melhorar o bem-estar mental e emocional, evidências recentes sugerem que a atenção plena centrada no próprio indivíduo pode ter um lado negativo, principalmente no que diz respeito à nossa vida social. Existe um lado sombrio da atenção plena? Em suas origens budistas, a atenção plena envolve demonstrar compaixão por si mesmo e por todos os seres vivos. No entanto, as perspectivas psicológicas ocidentais frequentemente destacam uma forma de atenção plena voltada para o próprio indivíduo, incentivando a autocompaixão e a autoaceitação, enquanto ignoram a compaixão pelos outros. Existe um bom motivo para que a atenção plena focada em si mesmo tenha sido tão enfatizada na pesquisa em psicologia. Essa forma de atenção plena demonstrou melhorar os sintomas da depressão, aumentar a empatia e melhorar o bem-estar, entre muitos outros benefícios. Contudo, embora ser compassivo consigo mesmo possa parecer uma ótima resolução de ano novo, pesquisas recentes têm revelado um lado mais sombrio dessa atenção plena voltada para si. Ela pode levar você a priorizar seu próprio bem-estar emocional em detrimento do bem-estar daqueles em seu círculo social, os deixando de lado. Por exemplo, há evidências de que pessoas que praticam meditação com atenção plena são menos propensas a sentir culpa ou a querer se desculpar quando magoam outras pessoas. Outras pesquisas descobriram que detentos que praticam a autocompaixão consciente são mais propensos a negar a responsabilidade e a demonstrar menos sensibilidade às consequências de seus atos criminosos. Em sete estudos que testaram programas de atenção plena para adultos encarcerados, os pesquisadores descobriram ainda que, em comparação com os grupos de controle, aqueles treinados nesta técnica não apresentaram redução significativa no risco de comportamento criminoso. Esses estudos recentes sugerem que precisamos de uma visão equilibrada da atenção plena, enfatizando os aspectos interpessoais, e não apenas as perspectivas voltadas para o indivíduo, para que os benefícios se estendam além de nós mesmos. Atenção plena interpessoal A atenção plena interpessoal, que envolve demonstrar compaixão pelos outros, está associada a menos estresse e melhores relacionamentos. Prestar atenção às suas ações e às suas consequências é especialmente importante para sermos gentis com os outros. Estar receptivo às experiências pessoais dos outros também pode nos tornar mais empáticos com eles. Então, como podemos praticar a atenção plena este ano para beneficiar não apenas a nós mesmos, mas também aqueles ao nosso redor? Aqui estão algumas dicas para ajudá-lo a ser mais consciente em seus relacionamentos com seu parceiro ou filhos. Pratique a compaixão consciente com seu parceiro Parceiros românticos podem ser uma fonte de imensa felicidade e segurança, assim como de decepção e mágoa. Ao se comprometer a ser mais atencioso nas suas relações interpessoais seu parceiro ou sua parceira, você poderá aproveitar melhor os aspectos positivos e lidar com os negativos do seu relacionamento. Demonstrar compaixão e empatia conscientes pelo seu parceiro pode ser particularmente útil para o seu relacionamento. Mesmo que vocês estejam se aproximando de um evento potencialmente estressante, como a gravidez, por exemplo, estar atentos um ao outro pode ajudar a lidar com o estresse e os desafios. Ser carinhoso e gentil com seu parceiro também é importante. Isso pode incluir tentar entender como o estado emocional dele ou o seu dia podem influenciar seu tom de voz ou suas ações. Manter-se atento e consciente durante encontros românticos ou mesmo durante discussões fará com que ambos se sintam reconhecidos e compreendidos, contribuindo para um relacionamento mais satisfatório. Praticar essas habilidades de atenção plena pode ajudar você e seu parceiro a se sentirem mais próximos e conectados, beneficiando não apenas a si mesmos, mas também o relacionamento. Use a parentalidade consciente com seus filhos É muito fácil cair em hábitos automáticos ao criar nossos filhos. A parentalidade consciente pode ajudar você a fazer escolhas conscientes sobre como interagir com seu filho, nutrindo seu bem-estar e saúde mental. Isso significa aceitar a si mesmo e ao seu filho sem julgá-los. Isso inclui aceitar seus próprios pontos fortes e limitações como pai ou mãe, e também aceitar quem seu filho é, mesmo que as coisas não estejam indo do jeito que você espera. Quando seus filhos não obedecerem, seja compassivo e tente entender o motivo, o que pode ajudá-lo a identificar melhor a causa e a lidar com o comportamento deles. Procure também estar atento às suas próprias emoções, assim como às do seu filho. Ouça-o com atenção plena para ajudar a identificar como ele está se sentindo. Prestar atenção em como você se sente e como isso afeta suas reações ao seu filho pode ajudá-lo a avaliar melhor as necessidades dele no momento. Estar em sintonia emocional com seu filho pode aproximá-los e apoiar o desenvolvimento emocional da criança, e usar a parentalidade consciente pode até ajudar seu filho a ser mais consciente. Com o novo ano, surge a oportunidade de nos aprimorarmos como parceiros, colegas, familiares e amigos. Talvez a atenção plena já fizesse parte de suas resoluções de ano novo, ou, após ler isto, você a tenha adicionado à sua lista. Quaisquer que sejam suas resoluções, lembre-se de que a atenção plena significa estar atento às pessoas ao nosso redor, e não apenas a nós mesmos. *Hali Kil é Professora assistente de Psicologia na Universidade Simon Fraser e Nathaniel Johnson é Candidato a doutorado em Psicologia do Desenvolvimento, Universidade Simon Fraser. *Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.