Não acertou na Mega da Virada? Educadora financeira dá dicas de como organizar o orçamento para 2026

Despesas de início de ano: como equilibrar o orçamento para não ficar endividado Mesmo sem levar uma fatia do maior prêmio da história da Mega da Virada, quem não acertou as seis dezenas pode começar 2026 com as finanças em ordem. A contadora e educadora financeira Fátima Ribeiro afirma que organização, clareza e planejamento realista são os primeiros passos para equilibrar o orçamento no novo ano. O sorteio foi realizado na noite de quarta-feira (31). A Caixa Econômica Federal divulgou, na manhã desta quinta-feira (1º), que o prêmio de R$ 1,09 bilhão foi dividido entre apostas feitas em João Pessoa (PB), Ponta Porã (MS) e Franco da Rocha (SP). Cada vencedor vai receber R$ 181.892.881,09. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Apesar disso, a maioria dos brasileiros não foi contemplada e segue lidando com despesas comuns do início do ano, como impostos, material escolar e contas acumuladas. Segundo Fátima Ribeiro, o erro mais comum é acreditar que a virada do ano, por si só, vai resolver os problemas financeiros. "Um planejamento financeiro, a primeira coisa que eu quero deixar claro, é trocar o pneu do carro com ele andando. A gente quer muito que ao virar ano nossas finanças estejam equilibradas, mas as coisas não funcionam assim porque a vida acontece e ela não pede licença para acontecer. Então um bom planejamento começa olhando para o que aconteceu", afirmou. A educadora explica que muitas despesas tratadas como imprevistas, na verdade, são recorrentes. "Às vezes dizem que alguns gastos são novos quando, na verdade, são gastos recorrentes, como a escola dos filhos, IPVA, ISS, seguro do carro, por exemplo, são coisas que as pessoas costumam pagar todos os anos", disse. Dívidas e 13º salário No fim do ano, o pagamento do 13º salário costuma ser usado para quitar ou renegociar dívidas. No entanto, Fátima faz um alerta. "No fim do ano vem o 13º muitos quitam ou renegociam dívidas, que é algo que a gente não indica, a renegociação, porque fazer parcelamento faz com que a dívida duplique, triplique, aumente muito. Se você não conseguir quitar, vamos equilibrar as finanças", explicou. Para ela, antes de pensar em dívidas, é preciso entender a realidade financeira. "Equilibrar as finanças é ter clareza do que realmente entra e do que se precisa para viver. Muitas pessoas se perdem ao fazer o planejamento financeiro porque querem planejar todo o ano novo sem nunca ter planejado nenhum ano. A possibilidade de dar erro é muito grande", disse. Planejamento em curto e longo prazo A educadora financeira explica que existem duas formas de enxergar o orçamento. "Nós, educadores financeiros, temos dois tipos de visão", afirmou. A primeira é a chamada visão águia. "Nela a gente vê os picos de gastos ao longo do ano, então você olha para 2025 e vê janeiro, por exemplo, quando se tem gastos com material escolar e IPVA, um pico. A gente olha primeiro esses grandes gastos que você sabe que vai ter e que acontecem todos os anos e os 12 meses", explicou. Já para quem nunca fez planejamento financeiro, ela recomenda começar pequeno. "Temos também a visão de formiga que a gente planeja a cada três meses que é o ideal para quem nunca fez o planejamento", disse. Reserva de emergência Outro ponto essencial é a criação de uma reserva de emergência. "Para construir uma reserva de emergência o primeiro passo é pegar papel e caneta e coloca o que de fato entra, não o que está assinado na carteira, mas o que cai na conta. A reserva ideal é que você tenha a partir de três meses do seu custo de vida. Não é o que você recebe, é o que você gasta", afirmou. Ela reforça que o valor pode começar pequeno. "Mas a reserva se começa começando de R$ 100, de R$ 50, vai equilibrando, o que você recebe e seus gastos essenciais e de estilo de vida", pontuou. Regra 50, 30 e 20 Para organizar os gastos, Fátima sugere a regra do 50, 30 e 20. "50% do seu rendimento devem ser destinados aos gastos essenciais, como as contas de água, energia e supermercado. 30% para gastos de estilo de vida, aquilo que é importante para você, mas não é essencial", disse. Renda extra Para quem recebe um salário mínimo ou depende apenas do salário fixo, a educadora recomenda buscar uma renda extra. "Para quem é CLT não é ideal que se dependa apenas do seu salário, não é uma garantia porque a pessoa pode ser desligada a qualquer momento. Então o ideal é que se preste serviço com algo que se goste e possa fazer fora do horário de trabalho. Às vezes é vender um produto, por exemplo", recomendou. Clareza é a principal dica Ao final, Fátima resume a principal orientação para 2026. "Clareza do que você recebe e clareza do que de fato você precisa para viver. Antes de falarmos de dívidas, você vive e depois você paga. Não é ser caloteiro. É pagar as contas de casa, comer, e depois junta-se dinheiro para pagar as dívidas", declarou. Planejamento financeiro Divulgação VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube