Bolsonaro recebe alta hospitalar e retorna à PF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta hospitalar, nesta quinta-feira, e retornou para a sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. A defesa do ex-presidente solicitou que ele permanecesse no hospital até a análise definitiva do requerimento de prisão domiciliar humanitária, mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido. Bolsonaro foi internado para a realização de uma cirurgia de correção de uma hérnia inguinal bilateral, na semana passada, mas diante de crises de soluço, ele foi submetido a novos procedimentos. Ao pedir prisão domiciliar, os advogados alegaram que o quadro clínico do ex-presidente ainda estaria em evolução e exigiria acompanhamento médico contínuo. Moraes afirmou, no entanto, que a defesa não trouxe aos autos fatos capazes de afastar os fundamentos da decisão anterior, que já havia negado a prisão domiciliar humanitária em 19 de dezembro. Segundo o ministro, não há agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, mas sim um quadro de melhora dos desconfortos relatados, conforme apontado, inclusive, por laudos de seus próprios médicos. “O quadro clínico é de melhora dos desconfortos que estava sentindo, após a realização das cirurgias eletivas”, escreveu Moraes, ao rebater a argumentação apresentada pela defesa. Na decisão, o ministro também destacou que todas as prescrições médicas indicadas pelos advogados podem ser integralmente cumpridas na Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro cumpre pena. Moraes reiterou ainda que permanecem ausentes os requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar e citou “reiterados descumprimentos de medidas cautelares” e “atos concretos visando à fuga”, incluindo a destruição dolosa de tornozeleira eletrônica, como fundamentos para a manutenção do regime fechado. Entenda o bloqueio do nervo frênico Na segunda-feira, Bolsonaro foi submetido a um procedimento de bloqueio anestésico do nervo frênico no lado esquerdo. No último sábado, ele realizou o mesmo tratamento no lado direito. O bloqueio do nervo frênico é um procedimento anestésico utilizado em casos específicos de soluços persistentes, quando o tratamento clínico com medicamentos não apresenta resposta satisfatória. A função desse nervo é controlar os movimentos do diafragma, músculo fundamental para a respiração — e é justamente a contração involuntária do diafragma que provoca o soluço. No procedimento, os médicos aplicam anestesia de forma localizada para reduzir temporariamente a condução dos impulsos nervosos que chegam ao diafragma. Com isso, o objetivo é interromper as contrações involuntárias responsáveis pelas crises de soluço. O bloqueio não provoca paralisia permanente nem interfere de forma definitiva na respiração. Trata-se de uma medida temporária e controlada, utilizada para avaliar se a interrupção do estímulo nervoso é capaz de cessar os episódios. Em alguns casos, como no de Jair Bolsonaro, o tratamento é realizado de forma bilateral, primeiro em um lado e depois no outro, como parte de uma estratégia médica para observar a resposta do organismo antes da conclusão do procedimento. O método é indicado apenas em situações específicas e após avaliação clínica detalhada, especialmente quando os soluços estão associados a alterações neurológicas ou gastrointestinais. O que é a cirurgia de hérnia inguinal bilateral A hérnia inguinal bilateral ocorre quando parte do intestino se projeta por pontos enfraquecidos da parede abdominal na região da virilha. A cirurgia tem como objetivo reposicionar o conteúdo abdominal e reforçar a musculatura local, reduzindo o risco de dor, complicações e novas protrusões. O procedimento será realizado sob anestesia geral, com monitoramento contínuo das funções vitais.