Celulares mais caros em 2026: vale a pena trocar agora ou é melhor esperar?

Trocar de celular no início de 2026 pode parecer um bom negócio para quem quer começar o ano de smartphone novo, já que as lojas costumam fazer promoções para queimar os estoques do ano anterior. Entretanto, a virada do calendário promete vir acompanhada de uma alta nos preços dos smartphones. Com o aumento no custo de componentes, a pressão do dólar e ajustes no mercado internacional, a dúvida do consumidor deixa de ser apenas qual celular comprar e passa a ser quando comprar. Afinal, vale a pena aproveitar as tradicionais ofertas do começo do ano ou esperar, correndo o risco de encontrar valores mais elevados nos próximos meses? 5 coisas que você pode esperar dos celulares topo de linha em 2026 ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews A resposta depende de uma combinação de fatores, como as especificações do celular, o perfil do consumidor e o momento do mercado. Enquanto alguns modelos podem se tornar mais vantajosos neste início de ano, antes que o novo ciclo de lançamento das fabricantes ganhe força, outros cenários indicam que esperar pode ser a escolha mais racional. O TechTudo conversou com um especialista para entender por que os celulares devem encarecer em 2026 e em quais situações a troca faz sentido. Confira a seguir. Motorola Razr 60 Ultra e Galaxy S25 Ultra foram destaques entre os lançamentos de 2025 Arte/TechTudo Qual é o celular da Samsung com melhor bateria? Tire dúvidas no Fórum do TechTudo Celulares mais caros em 2026: vale a pena trocar agora ou é melhor esperar? No índice abaixo você confere os tópicos abordados na matéria. Por que os celulares devem ficar mais caros? Quando faz sentido trocar de celular? Quando é melhor esperar para trocar de celular? Como trocar de celular com estratégia Checklist prático: é hora de trocar de celular? ✅ Por que os celulares devem ficar mais caros? Os celulares devem ficar mais caros em 2026 devido a uma combinação de fatores que afetam toda a cadeia de produção dos smartphones. Um dos principais é o aumento no custo de componentes como processadores e telas, que encareceram caros nos últimos anos. Como grande parte dessas peças é cotada em dólar, a variação no valor da moeda pode pesar no preço final dos aparelhos, especialmente em mercados com forte dependência de importações. Outro fator que entra na equação é a pressão sobre o mercado de memória. Fabricantes de chips já alertam para uma escassez prolongada de memória RAM, impulsionada pela crescente demanda de aplicações de inteligência artificial (IA) em data centers e outros setores da indústria. Na prática, isso deve representar uma menor oferta do componente no mercado e preços mais altos para a fabricação dos smartphones. O impacto disso tende a ser sentido de forma mais rápida nos modelos de entrada e intermediários, que usam o preço como fator decisivo para a compra. Fabricantes de chips alertam para uma escassez prolongada de memória RAM no mercado Reprodução/Badoo Além disso, fabricantes chinesas, responsáveis por pressionar os preços do setor para baixo, podem perder competitividade com mudanças nas leis, custos logísticos mais elevados e margens cada vez mais apertadas. Segundo o doutor em Administração e pesquisador em comportamento do consumidor Judson Gurgel, o segmento deve ser um dos mais vulneráveis aos reajustes. “Modelos de entrada e intermediários tendem a sentir mais o impacto. Eles operam com margens menores e dependem fortemente de componentes importados, dólar e escala de produção. Pequenas variações de custo acabam sendo repassadas ao preço final”, explica. Mesmo aparelhos intermediários, como o Galaxy A56, contam com recursos cada vez mais avançados que ajudam no encarecimento do celular Katarina Bandeira/TechTudo Além disso, os próprios smartphones estão se tornando produtos mais caros de desenvolver. Recursos de IA embarcada, câmeras avançadas, telas com alta frequência e maiores investimentos em software e segurança, mesmo em aparelhos de entrada, elevam o custo de produção. Com isso, é esperado que os reajustes não aconteçam de uma vez, mas que cheguem de forma gradual ao longo dos próximos lançamentos. Esse conjunto de fatores ajuda a entender por que a discussão sobre trocar de celular agora ou esperar ganhou força neste início de ano, especialmente entre consumidores que já planejavam a troca, mas ainda tinham dúvidas sobre o melhor momento para comprar. Quando faz sentido trocar de celular? Há situações em que trocar de celular deixa de ser desejo e se torna uma necessidade. Um dos principais sinais é quando o aparelho não recebe mais atualizações de sistema ou de segurança, o que pode comprometer tanto o desempenho do smartphone quanto a proteção dos dados. Mesmo que o celular ainda ligue e execute tarefas básicas, a falta de suporte tende a limitar a experiência e a vida útil do dispositivo. Modelos topo de linha lançados em anos anteriores, como o iPhone 15 Pro Max, costumam aparecer com preços mais atrativos no início do ano Mariana Saguias/TechTudo Problemas de hardware também podem pesar na decisão. Há casos em que a bateria que já não segura mais carga ao longo do dia ou que o celular sofre com superaquecimento frequentemente. Defeitos como falhas na tela ou no conector de carregamento também são indícios de desgaste ao longo de anos de uso. Nesses casos, o custo de manutenção pode se aproximar do valor de um aparelho novo. Além disso, quando o celular é usado como ferramenta de trabalho ou de estudo, a troca pode ser encarada como investimento, desde que haja planejamento. “Se o celular é uma ferramenta de trabalho ou de estudo, a troca pode, sim, ser encarada como investimento. Por outro lado, estamos em um ambiente de juros elevados e crédito caro. Isso exige cautela”, explica Gurgel. “É fundamental avaliar o impacto da parcela no orçamento e evitar assumir dívidas que comprometam a renda por muitos meses.” Quando o celular é uma ferramenta de trabalho ou de estudo, a troca pode ser considerada como um investimento, desde que haja planejamento Reprodução/Unsplash/Bruce Mars Um cenário que favorece a troca são as oportunidades de mercado. Modelos topo de linha lançados em 2024 ou 2025, por exemplo, costumam aparecer com preços mais atrativos no início do ano, mas ainda oferecem alto desempenho e vários anos de atualizações garantidas. Para o especialista, esse tipo de escolha tende a ser mais segura do que apostar apenas na novidade. “Poucos meses depois, os preços caem. Quem pesquisa, compara e foge da compra emocional geralmente leva um produto excelente pagando bem menos”, avalia. Quando é melhor esperar para trocar de celular? Em boa parte dos casos, segurar o celular atual por mais algum tempo pode ser a decisão mais sensata. Se o aparelho continua funcionando bem, recebe atualizações de sistema e atende às necessidades do dia a dia, a troca tende a ser mais motivada por desejo do que por necessidade. Nesses cenários, antecipar a compra pode significar gastar mais sem um ganho real de experiência. Salvo exceções como um dano no aparelho, a troca anual de celulares não se justifica para os consumidores que buscam economia. A expectativa de celulares mais caros nos próximos anos não deve ser o principal gatilho da decisão de compra de um novo aparelho, como avalia Gurgel. “Os preços tendem a subir ao longo do tempo — isso é da lógica econômica. Mas essa expectativa, por si só, não justifica compras por impulso. A decisão deve ser baseada em planejamento e racionalidade”, afirma o professor. Ele acrescenta que a compra deve acontecer quando houver necessidade e couber no bolso sem comprometer o orçamento familiar. Black Fridays costumam apresentar bons descontos para celulares Reprodução/Freepik Outro ponto-chave é o momento do mercado. Embora o segundo semestre concentre datas como Black Friday e Natal, o início do ano pode trazer oportunidades pontuais em que o varejo pode tentar liquidar os estoques após as festas. Ainda assim, para quem não tem urgência, esperar alguns meses pode abrir espaço tanto para preços melhores quanto para a chegada de novos modelos, que costumam pressionar o preço de gerações anteriores para baixo. Lançamento do Galaxy Z Fold 7 (a esquerda) em julho de 2025 pressionou pela queda de preço do Galaxy Z Fold 6 (à direita) Ana Letícia Loubak/TechTudo Como trocar de celular com estratégia Para quem decidir trocar de celular mesmo com um cenário de preços mais altos no horizonte, a estratégia pode fazer toda a diferença. Uma das recomendações é olhar com atenção para intermediários premium ou topos de linha do ano anterior, que costumam contar com desempenho elevado, boas câmeras e um ciclo mais longo de atualizações de sistema. A Apple, por exemplo, costuma atualizar seus celulares por muitos anos — o iOS 26, por exemplo, está disponível até para o iPhone 11, lançado em 2019. Já a Samsung expandiu o suporte dos modelos flagship para sete anos de atualizações e adotou uma política mais generosa mesmo para modelos básicos e intermediários. Prova disso é que o Galaxy A17 e o Galaxy A56 têm seis anos de suporte garantidos. O Galaxy S24 FE é um dos dispositivos da Samsung que tem bons descontos e deve receber atualizações ao longo de sete anos Letícia Rosa/TechTudo Gurgel, porém, acredita que o maior erro dos brasileiros na hora de trocar de celular não diz respeito à análise das especificações. “O maior erro do consumidor não é tecnológico, é financeiro: comprar acima da própria capacidade de pagamento. O celular passa, mas a dívida fica”, afirma. Segundo ele, lançamentos recentes tendem a chegar inflados por serem novidade, enquanto poucos meses depois os preços já começam a cair. Outra dica importante é evitar extremos, uma vez que modelos muito baratos podem envelhecer rápido e gerar frustração ainda no primeiro ano de uso, enquanto aparelhos caros demais podem comprometer o orçamento por anos. Assim, comparar fichas técnicas, política de suporte das fabricantes e histórico de quedas de preço ajuda a fazer uma escolha mais consciente e duradoura. Ferramentas como o Buscapé ajudam a acompanhar o histórico de preços do aparelho ao longo dos últimos 12 meses e podem ser um ponto de partida para uma avaliação mais consciente da compra. Comprar celulares muito baratos pode ser uma armadilha, já que eles envelhecem rápido e podem gerar frustração ainda no primeiro ano de uso Divulgação/Motorola Por fim, vale alinhar as expectativas. Para o especialista, parcelamentos longos e financiamentos raramente são boas alternativas. “O ideal é pagar à vista e negociar desconto. Financiar o celular com juros é quase sempre uma decisão ruim: trata-se de um bem que se desvaloriza rápido e não gera retorno financeiro”, explica. Ele ainda sugere não gastar mais do que o equivalente a um salário líquido mensal em um smartphone. "Para quem quer ser ainda mais conservador, algo entre 5% e 10% da renda anual é um limite saudável. O mais importante é que a compra não comprometa despesas essenciais nem gere endividamento prolongado. Celular precisa servir à vida da pessoa — e não o contrário", afirma. Checklist prático: é hora de trocar de celular? ✅ Troque de celular se o seu aparelho: Já não recebe mais atualizações; Está com algum problema de hardware (tela trincada, por exemplo); Tem uma bateria que não dá mais conta do recado; Sofre com muitos problemas de desempenho. Mantenha o celular se o seu aparelho: Está em bom estado de conservação; Ainda recebe atualizações. Com informações de Counterpoint Research e Dexerto Esse celular do GAME OF THRONES muda de COR! Esse celular do GAME OF THRONES muda de COR!! Mais do TechTudo