Sigourney Weaver é alta e imponente, como sua personagem mais famosa, a corajosa Ripley da saga “Alien”. Mas, diferentemente da guerreira espacial, o que imediatamente impressiona na atriz é uma calma que, de certa forma, é mais impactante do que seu 1,83m de altura. De Bruna Marquezine e Shawn Mendes a Sasha: Rota do Milagres é o destino do réveillon dos famosos, conheça Brigitte Bardot: Último desejo de estrela de cinema antes de morrer não pôde ser realizado, saiba qual Sorrindo, ela se mostra disponível para falar sobre “Avatar: Fogo e cinzas”, o terceiro filme da saga de fantasia e ficção científica para a qual seu amigo e diretor James Cameron a convidou há 16 anos — em 2026, completam-se 40 anos da estreia de “Aliens: O resgate”, seu primeiro filme juntos. No filme em cartaz que, segundo dados do Box Office Mojo, já superou os US$ 850 milhões, a atriz de 76 anos interpreta a adolescente Kiri, uma sábia e jovem Na’vi que é a heroína da história. Sigourney sorri mesmo ao se lembrar das dificuldades que enfrentou quando estudava teatro em Nova York e de seus professores que insistiam para que ela abandonasse o sonho de ser atriz. Segundo eles, ela era alta demais para ter sucesso no mundo do entretenimento. É verdade que uma vez lhe disseram que sua altura a impediria de ter sucesso em Hollywood? Acho que esse era o consenso geral no início da minha carreira. A verdade é que eu nunca tive a intenção de trabalhar em Hollywood. O que eu queria era trabalhar no teatro, mas meus professores tentaram me dissuadir. Foi naquele momento que pensei: Talvez eu possa fazer o que sonhei no teatro neste outro meio, o cinema. Talvez lá eu possa interpretar papéis principais, papéis coadjuvantes, fazer comédia ou drama. Simplesmente transitar de uma coisa para outra sem limitações. E foi exatamente o que fiz. Graças ao cinema, tenho a carreira que inicialmente almejava no teatro. Como foi a experiência de filmar este terceiro filme de “Avatar”, em comparação com os dois anteriores? Para nós, atores, foi uma experiência incrível todas as vezes. Criávamos cenas que seriam finalizadas meses depois na pós-produção, então não havia tecnologia ao nosso redor. Era um set vazio que compartilhávamos, entre o elenco e Cameron. Ele não estava atrás de um monitor; ele estava ali conosco. Ele nem sequer tinha uma câmera na mão. Acho que essa proximidade é o que ele mais gosta nesses filmes. Quando as filmagens terminam, ele tem muito mais trabalho a fazer, mas, para os atores, essa forma de filmar é muito estimulante. Não há pressão de tempo. Não existe a ideia de “temos que terminar esta cena antes do almoço”. Você simplesmente repete as cenas várias vezes até que todos estejam satisfeitos, que todos os aspectos possíveis daquela tomada tenham sido explorados. De certa forma, parece uma companhia de teatro ensaiando uma peça. Sua experiência no palco ajudou no processo de filmagem de “Avatar”? Sim, me sinto muito privilegiada por ter começado minha carreira em produções off-off-Broadway. Essa experiência me lembrou da sensação de fazer esse tipo de exercício, e o fato de poder retornar a isso tantos anos depois da escola de teatro é um prazer, especialmente porque agora sei o que fazer com essas ferramentas. Agora consigo apreciar essa liberdade e o espírito de experimentar tudo o que vem à mente e ao corpo em relação à cena. Realmente não sei se existe algum outro filme que utilize seus atores com a intensidade que este utiliza. Para alguns pode ser um pouco irônico que um filme que precisa de tanto trabalho de pós-produção ao mesmo tempo volte aos princípios fundamentais da atuação no caso do elenco e da direção, pelo lado de Cameron. Você se inspirou na sua própria adolescência para criar a Kiri? Sim. Quer dizer, aos 14 anos, eu era bem infeliz. Eu sou alta desde os 11. Então, eu sempre fui a mais alta entre meus colegas e muito desajeitada. Me sentia insegura o tempo todo. Esse foi o meu primeiro passo para criá-la. Me inspirei em memórias daqueles anos, voltei àquele momento da minha vida. Ao mesmo tempo, assistindo ao filme finalizado, percebo que a Kiri que tomou a iniciativa nas filmagens. É quase como se eu, a atriz, tivesse me afastado para não atrapalhar a personagem. Estou convencida de que foi isso que aconteceu. Sinto que o set, como mencionei antes, a impulsionou. E foi uma experiência muito interessante para mim, porque geralmente me preparo bastante antes de um projeto começar, e, quando chego no set, tudo já está resolvido, a aparência da minha personagem a tudo mais. No entanto, neste caso, foi mais colaborativo graças à generosidade de todo o elenco. Principalmente Zoe Saldaña, que teve que me aturar como sua filha adolescente.