Família de brasileiro diz que ele foi atraído para trabalhar como motorista e acabou obrig Recrutado pelo Exército da Rússia após promessa de emprego, o brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, deixou em Boa Vista, capital de Roraima, a esposa grávida e três filhos pequenos. A família afirma que ele saiu do país achando que trabalharia como motorista, mas acabou obrigado a servir nas forças armadas russas. Natural de Boa Vista, ele onde morava com a esposa Gisele Pereira Serrão, de 24 anos, e os filhos — dois meninos de 4 e 7 anos, e uma menina, de 2, frutos de outro relacionamento. O Itamaraty acompanha o caso. Antes de viajar, havia trabalhado como motorista de maneira informal e como frentista contratado em um posto combustíveis em Boa Vista. No entanto, pediu demissão do emprego após receber a proposta de ir para a Rússia, segundo Gisele. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo a família, Marcelo fala apenas português, não entende nenhum outro idioma e assinou o contrato com o Exército russo sem compreender o conteúdo. "A gente tinha planos de ter nossa casa e nosso carro", disse Gisele, que contou que ela e o marido pretendiam formalizar o casamento. "Foi tudo muito rápido com essa viagem, mas a gente tentava se manter aqui em Boa Vista do jeito que dava." Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, chegou a Moscou no dia no dia 3 de dezembro de 2025 Arquivo A mãe de Marcelo, Alessandra da Silva, de 47 anos, contou ao g1 que ele enfrentava dificuldades financeiras, tinha dívidas e era cobrado pelo pagamento de pensão quando recebeu a oferta de emprego para ser motorista. "Ele estava muito perturbado aqui", contou. A Rússia está em guerra contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país. LEI TAMBÉM: Brasileiro recrutado pelo Exército na Rússia assinou contrato sem entender o idioma Brasileiro é atraído para trabalhar como motorista e acaba obrigado a servir Exército na Rússia Ida à Rússia A mãe e a esposa de Marcelo afirmam que ele foi atraído por uma proposta para trabalhar como motorista na Rússia, mas, ao chegar ao país, foi obrigado a servir no Exército russo. Agora, buscam apoio do governo para trazê-lo de volta a Roraima, a pedido do próprio Marcelo. "Ele falou assim: 'amor, tô com saudade. Tenta acionar o consulado daqui, pois não tô conseguindo entrar em acordo com o pessoal, pois eles não me entendem e eu nem entendo eles. Já pedi para o subcomandante me tirar daqui e expliquei que vim por uma falsa promessa de emprego civil. Mas eles não tão me dando ouvido'", explicou Gisele. A viagem começou após a proposta feita por um amigo brasileiro que mora em Boa Vista. Com apoio de uma empresa que se apresenta nas redes sociais como assessoria para ingresso no Exército russo, Marcelo obteve o passaporte e teve a passagem comprada. Segundo Gisele, ele recebeu a passagem no dia 28 de novembro, embarcou em 30 de novembro e chegou à Rússia por Moscou em 3 de dezembro. No dia 9, disse à esposa que teve de assinar a assinar o contrato com o Ministério da Defesa da Rússia. Em novembro, a embaixada do Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento do número de brasileiros mortos ou que tiveram dificuldade para interromper a participação no Exército. Gisele conta que tem conseguido falar com o marido esporadicamente pelo Telegram. Nessas conversas, ele reforça que quer voltar para casa. O último contato ocorreu nesta quarta-feira (31), véspera de ano novo. Em um áudio enviado à esposa, Marcelo pediu que ela continue tentando trazê-lo de volta: "Tu na luta aí, eu na luta aqui, para nada acontecer. Espero em Deus que, o mais rápido possível. Ele vai me tirar daqui", disse ele. No contrato em russo que Marcelo assinou sem compreender, mas do qual conseguiu tirar fotos e enviar à companheira, consta que ele deve atuar como atirador, utilizando um fuzil AK-74. A família acredita que Marcelo esteja em uma cidade chamada Luhansk, na Ucrânia, onde passa por treinamento militar. Ele chegou a procurar o consulado do Brasil na Rússia, mas foi informado que "esses casos acontecem" e ele "não é o primeiro". Esposa disse que Marcelo não entende outro idioma além do português Arquivo pessoal Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.