Metanol: após novos casos, Anvisa alerta sobre como se proteger de intoxicação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta após sete novos casos de intoxicação por metanol terem sido confirmados na cidade de Ribeira do Pombal, na Bahia, todos relacionados à ingestão de bebida contaminada. As vítimas permanecem internadas, uma delas entubada em estado grave. A investigação aponta que a maioria das vítimas participou de uma festa de noivado no último domingo, quando foi servido um coquetel preparado com vodca adquirida em um depósito de bebidas da cidade. Um outro homem também se intoxicou após consumir bebida comprada no mesmo estabelecimento um dia antes do evento. “A Anvisa monitora os relatos de intoxicação por metanol, em contato com o Ministério da Saúde, as Vigilâncias locais e o Ministério da Agricultura. Todas as ações necessárias, como ações fiscais, liberação de antídotos e apoio às Vigilâncias locais, serão tomadas pela Agência para proteger a saúde da população brasileira”, diz a agência. Segundo a agência, a forma mais segura de prevenção é verificar a procedência da bebida. Para isso, orienta as seguintes medidas: Não consuma bebidas alcoólicas vendidas de forma informal, sem rótulo, sem lacre de segurança ou sem o selo fiscal da Receita Federal. Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado. Verifique o rótulo, que deve conter o nome do fabricante, a lista de ingredientes e o número de registro no Ministério da Agricultura. Compre apenas em locais confiáveis (mercados, distribuidoras e estabelecimentos regularizados). Exija a nota fiscal e guarde o comprovante. Observe a aparência da bebida: destilados devem ser límpidos. Turvação, partículas ou alteração de cor são sinais de alerta. Evite bebidas caseiras ou artesanais não regularizadas. Em bares, restaurantes e eventos, peça para ver a garrafa antes do preparo do drink (o consumidor tem o direito de saber a procedência da bebida); Sempre que possível, solicite que a bebida seja preparada na sua frente, diretamente da garrafa. A agência sanitária pede ainda que comerciantes reforcem a atenção com seus fornecedores e garantam a procedência legal dos produtos vendidos. O que a intoxicação por metanol? O metanol é um álcool com estrutura química parecida com a do etanol, que é aquele utilizado nas bebidas alcoólicas. No entanto, o metanol não é seguro para consumo humano, sendo altamente tóxico ao organismo e destinado apenas ao uso em aplicações industriais e laboratoriais. Isso porque, enquanto o etanol é metabolizado no fígado em acetaldeído e depois em acetato, que são menos tóxicos e liberados para fora do corpo por meio da urina, o metanol é quebrado em formaldeído e, depois, em ácido fórmico. Esse último é o subproduto altamente nocivo para o organismo. Siddhartha Giese, analista químico do Conselho Federal da Química (CFQ), explica que o metanol pode aparecer em bebidas alcoólicas de duas formas: — Quando há fraude e adulteração, com alguém tentando reduzir custos ao substituir o álcool próprio para consumo (o etanol) por metanol, ou acidentalmente por erros em processos de destilação, quando partes da bebida que contêm metanol não são corretamente separadas, o que acontece principalmente em destilados produzidos de forma clandestina. Segundo o Médico Sem Fronteiras (MSF), que monitora o cenário de intoxicação por metanol pelo mundo, surtos como os que o Brasil enfrenta são geralmente ligados à adição do composto deliberadamente em bebidas adulteradas para reduzir custos, já que ele é mais barato que o etanol. O cenário é especialmente alarmante considerando que 21% do consumo de álcool no mundo é proveniente de fontes ilegais, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o monitoramento do MSF, milhares de pessoas são envenenadas por metanol todos os anos, e a taxa de mortalidade em um surto costuma ser de 20% a 40%. Desde 1998, o levantamento registrou 40,1 mil afetados e 14,3 mil óbitos ligados à intoxicação por metanol.