Pelo terceiro ano, um espaço na Gávea se consolidou como um dos points mais quentes da cidade. Depois de quase dois meses e 44 eventos — com line-up que incluiu Marisa Monte, Roberto Carlos, Marcelo D2 e Os Paralamas do Sucesso, entre outros —, a Brava Arena Jockey é o projeto que encerra oficialmente o ano cultural no Rio, ultrapassando a marca de 146 mil visitantes. Fora o público direto, que assistiu às apresentações em um espaço climatizado e com uma acústica que rendeu elogios dos artistas, a iniciativa encabeçada pelo empresário Simon Fuller chegou até 15 milhões de pessoas pelas redes sociais e teve um impacto econômico expressivo. Mais de 20 mil profissionais da cultura e do entretenimento estiveram envolvidos (de forma direta e indireta) para proporcionar uma experiência única a cada um que marcou presença por lá. O Baile da Música Brasileira, que recebeu Gaby Amarantos, agitou as quartas-feiras, com entrada gratuita Divulgação A casa temporária da música no Jockey contou mais uma vez com o Ingresso Solidário, modelo que garante metade do valor da entrada inteira com um adicional de R$ 10 (em vez do tradicional quilo de alimento não perecível). O montante extra é destinado a um fundo que cobre ações de impacto social ligadas a instituições como o Lar Santa Terezinha, o Instituto Francisco, a Plataforma Gentileza, o Instituto Reação e a Benfeitoria, entre outras já apoiadas. — Cada um que compra esse tipo de entrada escolhe fazer parte de algo maior. A doação é muito mais do que um desconto: representa acolhimento, empatia e a chance de fazer a diferença. É um gesto simples, mas com uma repercussão gigante — afirma Fuller, britânico-carioca sócio da produtora Kappamakki. Algumas iniciativas já foram entregues, como uma quadra poliesportiva e uma sala de leitura no Instituto Francisco, organização fundada em 2022 para oferecer apoio e reforço escolar a crianças do ensino público da região. — Além da parte pedagógica, era preciso fazer melhorias nas instalações. Com a quantia arrecadada pela Brava Arena, reformamos a quadra e passamos a oferecer recreação, com atividades como basquete, muay thai e capoeira. O Samba do Trabalhador recebeu convidados na Arena Samba Divulgação Outro projeto importante que saiu do papel foram as consultas oftalmológicas com alunos que nunca tinham realizado exame de vista e se depararam com a necessidade do uso de óculos, o que impacta diretamente na aprendizagem. O cuidado com o entorno também não foi esquecido. A Praça Santos Dumont, bem em frente à entrada do Jockey, ganhou o primeiro ponto de água potável para a população, com acessibilidade para cadeirantes e espaço para pets. A qualidade foi aprovada e liberada pelo departamento de química da PUC-Rio. — Para 2026, estamos sonhando com a possibilidade de levar as crianças para conhecerem pontos como o Centro Cultural Banco do Brasil e Museu de Arte Moderna, e eventos como a Bienal do Livro — conta Julio Mariz, diretor do Instituto Francisco, ressaltando os altos custos dos aluguéis de ônibus. Edição histórica Com 44 eventos em dois meses, a temporada da Brava Arena Jockey chega ao fim — já deixando saudades Brava Arena Jockey 2025 em números Pedro Antunes Em 2025, a diversão começou um dia antes, às quartas, com o Baile da Música Brasileira, comandado pela banda do Cordão do Boitatá. Celebrando 30 anos em grande estilo, a trupe promoveu um festival regional com entrada gratuita, por onde passaram nomes como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Roberta Sá, Gaby Amarantos e Tereza Cristina. Já às quintas, a consagrada noite de samba seguiu firme e forte, com os anfitriões Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador recebendo convidados mais do que especiais. A programação de sexta a domingo foi pensada para todos os gostos, de Marina Lima ao FutParódias, passando pelo fenômeno Dominguinho, com Jota.pê, João Gomes e Mestrinho, que teve os ingressos esgotados ainda em junho. — No ano que vem, o mesmo cuidado com a experiência do artista e do público segue como prioridade. É esse compromisso que faz com que todos queiram voltar a se apresentar na Arena — garante Simon Fuller. João Gomes, Mestrinho e Jota.Pe apresentaram o projeto Dominguinho Laércio Pioi Portas abertas Talentos ganham visibilidade por meio de ação social Nala Mitcham Carneiro Divulgação Nascida em Manguinhos, comunidade da Zona Norte do Rio, Nala Mitcham Carneiro, de 22 anos, foi uma das 20 mil pessoas que trabalharam na Brava Arena Jockey para oferecer uma experiência única aos mais de 146 mil visitantes. Mulher negra e trans, filha de mãe solo, ela se formou em 2024 em contrarregragem e camarim na Spectaculu Escola de Arte e Tecnologia, uma das organizações sem fins lucrativos que são apoiadas pelo projeto da Gávea, através do Ingresso Solidário. Nesta terceira edição do evento, Nala foi convidada para fazer a promotoria do estande da empresa de telefonia Claro, patrocinadora master. —Tenho aprendido muito e conhecido produtores que são verdadeiras inspirações — conta ela, afirmando querer chegar o mais longe possível no ramo. Além de complementar a formação dos jovens, a inclusão social promovida contribui para a igualdade de direitos e combate à discriminação, como explica Carla Vilardo, diretora técnica da Spectaculu. — Isso é fundamental para que cada vez mais jovens sejam inseridos em vagas qualificadas afirmativas, possam se capa citar e se desenvolver cada vez mais para acessar novos espaços — conclui.