Irã diz que bases e tropas dos EUA na região são 'alvos legítimos' se Trump intervir nos protestos

Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, em 29 de dezembro de 2025 Fars via AP O chefe do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse nesta sexta-feira (2), que as bases e tropas dos EUA no Oriente Médio são "alvos legítimos" de ataques do Irã se Donald Trump intervir nos protestos do país. O presidente dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta que o EUA podem agir caso o governo do Irã use violência letal contra manifestantes que fazem protestos pelo país desde o início da semana. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump disse que os EUA estão “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas. Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A declaração ocorre após a morte de sete pessoas durante uma onda de protestos no Irã, considerados os maiores dos últimos três anos. As manifestações começaram por conta da crise econômica no país e acabaram se tornando violentas em várias regiões (leia mais abaixo). Após a ameaça de Trump, o governo do Irã se manifestou e disse que qualquer intervenção dos EUA ao país do Oriente Médio é uma "linha vermelha". Teerã também prometeu resposta. O Ministro de Relações Exteriores do Irã afirmou ainda que seu país "não aceitará nenhuma interferência externa". CRISE, INFLAÇÃO ALTA, GUERRA: o que está por trás das manifestações no Irã que já deixaram 7 mortos Onda de protestos Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os protestos tiveram início no domingo (28), quando comerciantes passaram a reclamar da condução da economia pelo governo, especialmente da forte desvalorização da moeda local e do aumento dos preços. Os protestos ganharam força na segunda-feira (29), quando centenas de pessoas saíram às ruas para reclamar da crise econômica e do alto custo de vida. Em Teerã, comerciantes aderiram às manifestações e fecharam lojas em sinal de protesto. Com o apoio de estudantes, os atos se espalharam para outras regiões do país. Diante da pressão, o governo do presidente Masoud Pezeshkian informou que abriu um canal de diálogo com representantes da sociedade para ouvir as reivindicações da população. “Reconhecemos oficialmente os protestos. Ouvimos essas vozes e sabemos que isso tem origem na pressão natural provocada pelas dificuldades no sustento da população”, afirmou a porta-voz do governo na terça-feira. A economia iraniana enfrenta dificuldades há anos. Um dos principais motivos foi a volta das sanções dos Estados Unidos em 2018, depois que Trump, em seu primeiro mandato, decidiu retirar o país do acordo nuclear internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025 REUTERS/Jonathan Ernst