Autoridades suíças atualizaram nesta sexta-feira as informações sobre a missão de resgate e de reconhecimento de corpos das vítimas do incêndio em um bar de Crans-Montana, nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas na noite de revéillon. Primeira vítima: Jovem italiano de 16 anos está entre os mortos em tragédia nos Alpes suíços Entenda: Fogos de artifício podem ter causado incêndio em festa de Ano Novo nos Alpes Suíços, que deixou 40 mortos e 100 feridos Autoridades suíças ainda trabalhavam no local do incêndio na manhã desta sexta-feira, enquanto se dava início ao processo de identificação dos corpos — que políticos e técnicos afirmaram que deve ser demorado, em razão da condição em que parte dos corpos foram encontrados. A agência de notícias francesa AFP noticiou que corpos começaram a ser transportados para um centro funerário na cidade de Sion por volta das 11h (07h em Brasília). Um gabinete de crise foi instalada no centro de convenções de Crans-Montana para receber e orientar as famílias, à medida que sobreviventes foram distribuídos entre vários hospitais em Lausanne, Genebra e Zurique. Há confirmação de que algumas das vítimas foram transferidas para França e Itália. Governos de diferentes países estão em cooperação direta para prestar apoio aos sobreviventes. Mais cedo, a primeira vítima da tragédia foi identificada como Emanuele Galeppini, um jovem atleta de 16 anos, filiado à Federação Italiana de Golfe. A morte de Galeppini foi confirmada pela entidade em uma publicação nas redes sociais, por meio da qual expressaram solidariedade à família do jovem. As autoridades confirmaram que grande parte das vítimas eram turistas, incluindo italianos e franceses, de acordo com autoridades dos dois países.. A principal linha de investigação neste momento é de que sinalizadores afixados a garrafas de champanhe tenham iniciado o incêndio no andar subterrâneo do bar, no momento em que as faíscas entraram em contato com o material supostamente inflamável que revestia o teto. Imagens do interior do bar — uma estrutura de dois andares — registraram o que parece ser o momento inicial do incêndio. Segundo várias pessoas, o uso de pirotecnia era algo habitual no estabelecimento. Initial plugin text As paredes dos edifícios adjacentes ao bar não apresentavam marcas nesta sexta-feira, e mesmo a placa do bar parecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda — o que leva a crer que o incêndio se concentrou sobretudo no subsolo. Testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar, enquanto outras, cobertas de queimaduras, corriam para a rua. O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo na quinta-feira, classificou o incidente como "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes", e anunciou que as bandeiras permanecerão hasteadas a meio mastro por cinco dias. O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao bispo de Sion, expressando compaixão e solidariedade às famílias das vítimas. 'Atmosfera pesada' Nas ruas do centro da localidade, algumas famílias com crianças vestidas com roupas de esqui se preparavam para um dia na neve nesta sexta-feira. Enquanto isso, em frente ao bar, várias pessoas depositaram flores, e familiares e amigos tentam usar as redes sociais para tentar encontrar pessoas desaparecidas. — Tentamos localizar os nossos amigos. Tiramos muitas fotos e postamos no Instagram, no Facebook e em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los — afirmou Eleonore, uma jovem de 17 anos. — Mas não há nada. Sem resposta. Ligamos para os pais, nada, nem mesmo os pais sabem de nada. Pessoas levam flores ao local onde ocorreu incêndio que matou mais de 40 pessoas na Suíça MAXIME SCHMID / AFP Nos poucos cafés abertos no início da manhã, a tragédia era o assunto de todas as conversas. — A atmosfera está pesada — disse Dejan Bajic, um turista de 56 anos de Genebra, que frequenta a estação de esqui desde 1974. — É como um pequeno vilarejo, todos nós conhecemos alguém que conhece alguém afetado. A procuradora-geral do cantão de Valais, no sudoeste da Suíça, Béatrice Pilloud, disse que foram mobilizados grandes recursos para identificar as vítimas e devolver seus corpos às famílias o mais rápido possível. (Com AFP)