Por que arquivamos fotos do feed? Psicóloga explica o impacto na autoestima

Arquivar mídias do feed se tornou um gesto comum nas redes sociais, especialmente em plataformas como Instagram, onde a imagem pessoal ocupa um papel central. Para algumas pessoas, a decisão representa apenas uma mudança de fase ou a vontade de reorganizar o próprio perfil; para outras, pode estar ligada a inseguranças, comparações constantes e à forma como a própria imagem é percebida. Segundo a psicóloga Gabriela Inthurn, coordenadora do curso de Psicologia da UNIASSELVI, o comportamento vai além de uma escolha estética e reflete aspectos emocionais e sociais do usuário. À medida que as redes oferecem cada vez mais controle sobre o que é exibido online, especialistas chamam atenção para os possíveis impactos desse hábito na autoestima e na vida fora das telas. A seguir, entenda o que está por trás desse hábito, o que ele revela sobre a autoestima e em quais casos pode funcionar como um sinal de alerta. Bonito no espelho e feio na selfie do celular? A ciência explica Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Decisão de arquivar fotos do feed pode estar ligada a mudanças de fase ou inseguranças pessoais; TechTudo ouviu especialista para entender o hábito Mariana Saguias/TechTudo O que fazer quando WhatsApp está fora do ar? Saiba mais no Fórum TechTudo Por que as pessoas arquivam fotos do feed Arquivar fotos do feed não é apenas uma decisão estética. Segundo a psicóloga Gabriela Inthurn, coordenadora do curso de Psicologia da UNIASSELVI, esse gesto pode ser entendido como um comportamento emocional, já que as redes sociais funcionam como uma extensão das relações sociais do dia a dia. “As redes sociais como Instagram, TikTok, Facebook e Twitter são também uma representação de um comportamento social”, comenta. Ela explica que o ambiente online oferece possibilidades que não existem na vida offline, como a chance de esconder ou reorganizar partes da própria história. “Na vida privada, particular, e principalmente offline, a gente não tem essa possibilidade de deletar ou arquivar momentos, mas na vida online a gente pode escolher o que a gente apresenta”, afirma. Nesse sentido, arquivar imagens pode simbolizar um recomeço ou a vontade de marcar uma nova fase, algo que se conecta a tendências populares na internet, como a ideia de “virar uma nova versão de si mesmo”. Para Gabriela, esse movimento não nasce exclusivamente das redes, mas ganha força nelas justamente pela possibilidade de controle da narrativa pessoal. O feed passa a funcionar como um recorte calculado da vida, no qual nem tudo precisa permanecer visível. Arquivar fotos pode simbolizar o começo de uma nova história, já que as redes permitem que os usuários tenham controle sobre a narrativa pessoal Mariana Saguias/TechTudo O que esse hábito revela sobre a autoestima O significado de arquivar fotos varia bastante de pessoa para pessoa. A psicóloga ressalta que o comportamento pode estar ligado tanto à insegurança quanto a mudanças naturais ao longo da vida. “A verdade é que nós vamos mudando, nos desenvolvendo e vamos tendo versões de nós mesmos”, declara. Por isso, nem sempre esconder uma imagem indica rejeição da própria aparência ou baixa autoestima. Em muitos casos, a decisão surge quando a pessoa já não se reconhece mais naquele registro ou naquele momento específico. No entanto, Gabriela alerta que a comparação tem um papel central nesse processo. Ao observar fotos mais produzidas de outras pessoas, é comum que surjam julgamentos sobre o próprio corpo, roupa ou ângulo da foto. “Eu posso interpretar, às vezes, que o meu corpo não está legal naquela foto, eu não estou bem-vestida, ou que talvez aquela imagem não esteja do jeito que deveria”, afirma. Arquivar, então, pode funcionar como uma forma de proteção emocional diante de críticas externas ou comparações constantes. Ao mesmo tempo, esse recurso também pode reforçar a ideia de que certos aspectos da própria imagem precisam ser escondidos para evitar desconforto, o que merece atenção. Quando o comportamento pode virar sinal de alerta O hábito começa a preocupar quando passa a interferir no bem-estar fora das redes sociais. Gabriela explica que o problema não está no ato isolado de arquivar, mas na função que isso passa a exercer na vida da pessoa. “Uma coisa é você arquivar uma foto porque agora não faz mais parte da sua vida aquele momento, outra coisa é você arquivar todas as fotos de momentos que foram ruins porque você acha que aquilo vai apagar o momento que você passou”, afirma. Segundo ela, quando o arquivamento vira uma tentativa de apagar experiências difíceis ou evitar o contato com sentimentos incômodos, o comportamento pode sinalizar dificuldades emocionais mais profundas. “Então pode se tornar um sinal de alerta, porque a pessoa vai ter uma dificuldade em reconhecer e manter a própria vida”, declara. A psicóloga reforça que as redes sociais não criam esses conflitos do zero, mas tendem a amplificá-los. “Nosso comportamento nas redes sociais é um reflexo, uma parte de um comportamento que a gente tem offline”, comenta. Por isso, quando a necessidade de arquivar fotos se torna constante ou passa a ser vista como uma forma de encerrar ciclos emocionais, vale ter atenção. Arquivar fotos para tentar apagar fases da vida pode ser um sinal de alerta; no comportamento saudável, é preciso entender o que passou e saber lidar com aquilo Mariana Saguias/TechTudo Dicas práticas para uma relação mais leve com o feed Para manter uma relação mais saudável com o próprio perfil, o primeiro passo é entender a motivação por trás do arquivamento. Gabriela destaca que esconder imagens para evitar o contato com o próprio corpo ou com sentimentos difíceis pode adiar um processo importante de aceitação. “Vou arquivar aquela foto para não ver o meu corpo, quando na verdade eu deveria olhar para ele, entender o que ele é e começar a gostar dele”, afirma. Uma estratégia prática é observar se a decisão vem de um desejo genuíno de mudança ou de uma tentativa de fugir de comparações e críticas. Também é importante lembrar que o feed não precisa funcionar como um portfólio perfeito da própria vida. Ele pode ser apenas um espaço de registro, sem a obrigação de representar uma versão idealizada de si. Por fim, se o uso das redes começa a afetar a autoestima, o humor ou as relações fora do ambiente digital, buscar apoio profissional pode ajudar a entender melhor esses gatilhos. Como destaca a psicóloga, o problema não está nas fotos arquivadas em si, mas no peso emocional que esse gesto passa a carregar. Para garantir uma relação leve com as redes sociais, é necessário analisar os motivos que levam ao arquivamento Mariana Saguias/TechTudo Mais do TechTudo Veja também: o Instagram mudou e está confundindo todo mundo! O NOVO INSTAGRAM está confundindo TODO MUNDO!