Quarenta e cinco dias após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em 18 de novembro do ano passado, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ainda não informou a data para realizar o pagamento de quem tinha até R$ 250 mil investidos em títulos garantidos pelo seguro mantido pelas instituições financeiras. Com todo esse tempo, o FGC completa, no próximo domingo, 4, o maior intervalo entre o anúncio da liquidação e o início do pagamento desde o início de 2016, quando o banco pernambucano Azteca do Brasil teve sua intervenção decretada pela autoridade de fiscalização num dia 8 de janeiro. À época, as restituições aos clientes começaram 47 dias depois, em 24 de fevereiro, somando R$ 28,1 milhões. A quantia era equivalente a cerca de 68% do total dos depósitos do Fundo. Em entrevista ao GLOBO no dia da liquidação do Master há um mês e meio, o diretor-presidente do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), Daniel Lima, afirmou que o início do pagamento dependia do envio de informações do liquidante (o administrador que vai encerrar as atividades do banco) do Master nomeado pelo Banco Central. Segundo ele, o pagamento iria começar dois dias após o envio das informações. Lima explicou que é o liquidante precisa compilar a lista de credores, acessando os arquivos da empresa liquidada. Por causa disso, ele não estipulou um prazo para o ressarcimento começar. Segundo ele disse na época, o prazo médio das últimas liquidações havia sido de cerca de um mês. Quanto tempo o FGC levou para pagar os investidores? Procurado nesta sexta-feira, o FGC reafirmou que aguarda a lista do liquidante para dar início aos pagamentos e que não há prazo legal para a comunicação entre o gestor definido pelo BC para cuidar da liquidação do Master e o Fundo: “o prazo de 30/40 dias foi apenas uma média observada. Cada liquidação tem a sua particularidade”, disse o FGC em nota. Para Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, o atraso pode ser reflexo do tamanho do número de aplicadores: — Eram muitas pessoas físicas e, para fazer todo esse levantamento de dados, adicionado ao fato de que a intervenção aconteceu no fim de ano, que tradicionalmente tem paralisação, pode ser que demore um pouco mais — afirma. De acordo com o FGC, este será o maior desembolso da história de ressarcimentos do Fundo, criado na década de 1990. São estimados R$ 41 bilhões em devoluções a 1,6 milhões de clientes que detinham CDBs e outros investimentos com garantia do Fundo. Incerteza Os recentes episódios após a liquidação, como a acareação determinada pelo STF realizada no último dia 30, ele diz, insere dúvidas sobre o processo na comparação com situações semelhantes, avalia Santacreu. A possibilidade remota da suspensão da liquidação do Banco Master passaria a gerar um enorme ponto de interrogação em toda a sistemática já anunciada até aqui: — Você teria que desfazer tudo o que está acontecendo: desfazer a nomeação do liquidante, não saberíamos qual seria a obrigação do FGC em pagar. Isso cria uma incerteza da qual não sabemos a sequência — ele diz. — Quem seria o presidente? O (Daniel) Vorcaro (ex-presidente do Banco), investigado por crimes. Qual seria a nova diretoria?