Forças de segurança da Venezuela prenderam vários cidadãos dos Estados Unidos nos últimos meses, desde que o governo de Donald Trump iniciou uma campanha de pressão militar e econômica contra o regime chavista . Uma autoridade norte-americana familiarizada com o assunto contou detalhes ao jornal The New York Times ( NYT ). Alguns dos detidos enfrentam acusações criminais legítimas. O grupo inclui três cidadãos com dupla nacionalidade, venezuelana e norte-americana, e dois cidadãos dos EUA sem vínculos com o país, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a se pronunciar publicamente. O governo dos EUA avalia a classificação de ao menos dois presos como detidos ilegalmente. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, há muito tempo utiliza cidadãos dos EUA detidos — culpados ou inocentes de crimes graves — como moeda de troca em negociações com Washington. O presidente Trump fez da libertação de norte-americanos presos no exterior uma prioridade em seus dois governos e mandou um emissário especial, Richard Grenell, à Venezuela para negociar um acordo de prisioneiros poucos dias depois do início do segundo mandato. Aeronaves de guerra dos EUA sobrevoam oceano nas proximidades da Venezuela | Foto: Reprodução/X O período subsequente de negociações entre autoridades norte-americanas e venezuelanas resultou na libertação de 17 cidadãos dos EUA e residentes permanentes mantidos presos na Venezuela, relatou o NYT . Entretanto, a suspensão dessas negociações em favor de uma campanha de pressão militar e econômica contra Maduro pôs fim às libertações de prisioneiros. O número de norte-americanos detidos na Venezuela voltou a crescer entre setembro e dezembro, segundo a autoridade ouvida pelo NYT . Esse aumento coincidiu com o envio de uma frota naval dos Estados Unidos ao Caribe e o início de ataques aéreos contra embarcações acusadas pela Casa Branca de transportar drogas sob ordens de Maduro. Os Estados Unidos intensificaram ainda mais a campanha de pressão militar em dezembro, com navios petroleiros venezuelanos como alvo , o que paralisou a maior fonte de exportações do país. A Embaixada dos EUA na Colômbia, responsável por assuntos relacionados à Venezuela, recusou-se a comentar sobre os norte-americanos detidos no país e encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado, que também não respondeu às perguntas do NYT . https://twitter.com/WhiteHouse/status/2001126583118213372 As identidades da maioria dos norte-americanos detidos na Venezuela nos últimos meses são desconhecidas. A família de um viajante chamado James Luckey-Lange, de Staten Island, em Nova York, informou seu desaparecimento pouco depois de ele cruzar a instável fronteira sul da Venezuela no início de dezembro. De acordo com o NYT , Luckey-Lange, de 28 anos, está entre os detidos recentemente e é um dos dois norte-americanos que podem ser designados como presos detidos ilegalmente. Ele é filho da musicista Diane Luckey, que se apresentava como Q Lazzarus e ficou mais conhecida pelo single de 1988 Goodbye Horses . Entusiasta de viagens e lutador amador de artes marciais, Luckey-Lange trabalhou na pesca comercial no Alasca após se formar na faculdade, segundo amigos e familiares. O homem iniciou uma longa viagem pela América Latina em 2022, depois da morte da mãe. O pai dele morreu em 2025. James Luckey-Lange, de Nova York, foi dado como desaparecido pela família depois de viajar à Venezuela | Foto: Reprodução “Ele tem viajado, tentando descobrir o que fazer da vida”, disse Eva Aridjis Fuentes, cineasta que trabalhou com Luckey-Lange em um documentário sobre Q Lazzarus. “Ele passou por muitas perdas.” Não está claro se Luckey-Lange tinha visto para entrar na Venezuela, como exige a lei do país para cidadãos dos EUA. Sua tia e parente mais próxima, Abbie Luckey, afirmou, em entrevista ao NYT , que não foi contatada por autoridades norte-americanas e busca qualquer informação sobre o paradeiro dele. Cidadãos dos EUA libertados relatam condições abusivas na Venezuela Alguns cidadãos dos EUA libertados de prisões na Venezuela no início deste ano relataram condições abusivas e falta de devido processo legal. Muitos não foram formalmente acusados de crimes, e poucos foram condenados. Apreensão de petroleiro da Venezuela pelos EUA | Foto: Divulgação/X/@AGPamBondi Um peruano-americano chamado Renzo Huamanchumo Castillo disse que foi detido no ano passado depois de viajar à Venezuela para conhecer a família da mulher, ao ser acusado de terrorismo e de conspirar para matar Maduro. Segundo ele, as acusações não faziam sentido. “Percebemos depois que eu era apenas uma moeda de troca”, acrescentou. Huamanchumo, de 48 anos, afirmou que foi frequentemente espancado e recebia um litro de água barrenta por dia enquanto esteve detido na notória prisão venezuelana Rodeo I. “Foi a pior coisa que se pode imaginar”, afirmou. Ele foi libertado em uma troca de prisioneiros em julho. Pelo menos outras duas pessoas com vínculos com os Estados Unidos permanecem presas na Venezuela, segundo suas famílias: Aidel Suarez, residente permanente dos EUA nascido em Cuba, e Jonathan Torres Duque, um venezuelano-americano. 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