Quando Noa Bersier, de 20 anos, chegou com vários amigos ao "Le Constellation", na vila de Crans-Montana, nos Alpes suíços, pouco depois da meia-noite de quinta-feira, encontrou o bar cheio, mas não lotado, de jovens comemorando o Ano Novo. No porão, as pessoas dançavam ao som de música pop. Bersier, coordenador de marketing de um time de hóquei suíço, jogava bilhar com os amigos. Entenda: Velas de aniversário 'estrela' em garrafas de champanhe são provável causa de incêndio em bar na Suíça, dizem autoridades Primeira vítima: Jovem italiano de 16 anos está entre os mortos em tragédia nos Alpes suíços Segundo ele, garçons corriam de um lado para o outro, alguns carregando garrafas de vinho com velas e sinalizadores acesos. A celebração, de repente, transformou-se em tragédia: Bersier percebeu que o teto estava em chamas. Ele disse não ter visto a causa, mas em poucos minutos as chamas se espalharam por todo o cômodo. Initial plugin text A procuradora-geral do cantão de Valais, no sudoeste da Suíça, Béatrice Pilloud, afirmou nesta sexta-feira que a principal linha de investigação sobre o trágico incêndio é de que os sinalizadores afixados a garrafas de champanhe tenham dado início às chamas. Initial plugin text Depois que viu as primeiras chamas, Bersier pegou o casaco e correu para a única saída que conhecia — a escada que levava ao térreo. Muitos outros fizeram o mesmo, resultando em uma aglomeração de pessoas na escada, todas presas no subsolo. Ele sentiu, então, uma onda de calor percorrer seu corpo, embora, segundo ele, não tenha visto nenhum fogo por perto. — Eu vi minhas mãos se desfazendo — contou o jovem. — Senti como se estivesse em chamas, mas não havia fogo ao meu redor. Ao chegar à varanda, no topo da escadaria, Bersier se viu em meio a uma confusão de pessoas em pânico e agitadas. — Você via pânico nos olhos de todos. Quando consegui sair, vi minhas mãos, a pele pendurada por todos os lados — disse ele. — Meu rosto estava meio queimado, dava para perceber que meu cabelo também. Eu cheirava a queimado. Policiais fazem a segurança do local do incêndio que atingiu um bar em Crans-Montana, na Suíça Sergey Ponomarev / The New York Times Segundo ele, seus amigos o levaram de carro até o hospital mais próximo, a meia hora de distância, na cidade de Sion. Os médicos informaram que ele sofreu queimaduras na cabeça, nas mãos, na parte inferior das costas e em uma perna. Veja: Fogos de artifício podem ter causado incêndio em festa de Ano Novo nos Alpes Suíços, que deixou 40 mortos e 100 feridos Bersier acabou sendo vítima também do azar: tinha ingressos para outra boate próxima, mas decidiu ir embora ao perceber que o local ainda não estava cheio. Por outro lado, como ele próprio afirmou, considera-se sortudo por ter sobrevivido. — Sou muito grato por ainda estar aqui hoje — concluiu o jovem. Velas de aniversário 'estrela' — Tudo nos leva a crer que o incêndio começou a partir de sinalizadores afixados em garrafas de champanhe, que ficaram muito perto do teto. A partir disso, as chamas começaram [a se espalhar] rapidamente — disse Pilloud, a procuradora-geral do cantão de Valais, durante a coletiva de imprensa nesta sexta-feira. — Para chegar a essa conclusão inicial, há vídeos que foram analisados, entrevistas com várias pessoas e relatos de testemunhas. Ainda de acordo com a procuradora, a investigação está analisando a espuma acústica usada no teto do porão do local do evento, a fim de verificar se ela estava em conformidade com as diretrizes de segurança. Ela também afirmou que a possibilidade de abertura de processos criminais relacionados a incêndio culposo, homicídio culposo e danos materiais causados por negligência será avaliada com o avançar da apuração sobre responsabilidade. Leia também: Papa Leão XIV expressa compaixão por famílias de vítimas de incêndio na Suíça O chefe da polícia local, Frédéric Gisler, afirmou que 119 pessoas ficaram feridas, incluindo 71 suíço, 14 franceses e 11 italianos. As outras nacionalidades incluem pessoas da Bélgica, Polônia, Portugal e Luxemburgo, Sérvia e Bósnia. Catorze pessoas seguem sem identificação — o que ele disse ser uma prioridade neste momento. Autoridades ainda trabalhavam no local do incêndio na manhã desta sexta-feira, enquanto se dava início ao processo de identificação dos corpos — que políticos e técnicos afirmaram que deve ser demorado, em razão da condição em que parte dos corpos foram encontrados.