Parlamentares de direita saíram em defesa do ex-assessor presidencial Filipe Martins, preso preventivamente nesta sexta-feira após o descumprimento de medidas cautelares. A detenção foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois da constatação de que Martins violou a proibição do uso das redes sociais ao acessar sua conta no LinkedIn. A defesa alega que o acesso ao perfil foi feito pelos próprios advogados. Nas redes sociais, bolsonaristas criticaram a decisão e defenderam Martins. Entre os que se manifestaram, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que o ex-assessor foi preso de maneira "ilegal" e "sem cometer crime algum". O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também descreveu a determinação como "puro sadismo". Na publicação, o parlamentar também disse que, no passado, o ex-assessor presidencial "foi preso por reuniões que nunca participou, por uma 'minuta de golpe' que nunca teve acesso e por uma viagem aos EUA que nunca fez". "E agora sai da prisão domiciliar e é preso por ordem de Moraes por supostamente mexer no LinkedIn". Initial plugin text Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) comparou o ocorrido à situação de Bolsonaro, que recebeu alta médica ontem e foi redirecionado para a Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre a pena decorrente de sua condenação por liderar a trama golpista. Na publicação, o parlamentar acusou o magistrado de "tirania" por manter o ex-presidente em "cárcere severo, com saúde debilitada e restrições que impedem o contato familiar" e pela prisão de Martins. "É a falência do sistema ver alguém ser encarcerado por uma denúncia de uma suposta busca, mesmo cumprindo todas as cautelares a ele impostas há mais de 560 dias", escreveu o deputado. Initial plugin text A comparação foi repetida pelo deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), que escreveu em um post no X que, no caso de Bolsonaro, o ministro alega que há condições para "negar a prisão domiciliar", enquanto no caso de Martins, "decisões graves são tomadas com base em 'indícios' e até movimentações em redes sociais". "Suposições viraram fundamentos, vínculos políticos viraram culpa e cautelares se transformam em punição antecipada", acrescentou. Entenda o caso de Filipe Martins Antes de ser detido nesta sexta-feira, o ex-assessor presidencial cumpria a prisão domiciliar desde o último sábado, por determinação proferida pelo ministro Moraes após a fuga do ex-diretor geral da PF Silvinei Vaques. Martins foi condenado a uma pena de 21 anos de reclusão na ação que responde por tentativa de golpe e outros quatro crimes. Os ministros consideraram que ele elaborou a minuta de um decreto com medidas para reverter o resultado da eleição presidencial de 2022. O documento foi apresentado pelo ex-presidente aos comandantes das Forças Armadas, segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A defesa ainda tenta reverter a condenação. Em 2024, também foi preso no âmbito da investigação da trama golpista, sob a acusação de risco de fuga do Brasil, após registros migratórios afirmarem que ele teria entrado nos Estados Unidos. De acordo com a PF, Martins apareceu em uma lista de passageiros a bordo do avião presidencial com destino a Orlando, nos Estados Unidos, em 30 de dezembro de 2022. A informação foi obtida a partir de um arquivo digital apreendido com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens presidencial e delator da trama golpista. A defesa alega que ele não viajou para o exterior e que estava no Paraná na data.