‘Retirada das crianças ocorreu sem base legal’, relata advogada de casal de Arroio Grande

Em entrevista ao Jornal da Oeste — 1ª Edição nesta sexta-feira, 2, a advogada Adriana Marra, que representa os pais Douglas e Paola Kalaitzis, de Arroio Grande (RS), afirmou que a retirada das crianças ocorreu sem base legal. Segundo ela, não há no processo qualquer comprovação de maus-tratos, abuso ou abandono — únicas hipóteses que justificariam o afastamento do lar. + Leia mais notícias do Brasil em Oeste O caso teve início com uma denúncia anônima de cárcere privado, rapidamente descartada pela polícia. Mesmo assim, o Conselho Tutelar passou a exigir documentos das crianças. A filha mais nova nasceu em parto domiciliar, e o registro enfrentou entraves cartorários, posteriormente sanados com exame de DNA. Ainda assim, a situação foi usada como indício de suposta negligência. https://www.youtube.com/watch?v=g3mbQtJYLws&t=3600s A controvérsia central envolve a vacinação. O filho mais velho teria apresentado reações adversas graves a vacinas tradicionais, o que levou médicos a contraindicar novas doses. A defesa afirma que há múltiplos atestados médicos — documentos com fé pública — estendendo a contraindicação à filha mais nova. O Ministério Público, no entanto, insistiu na vacinação completa e obteve ordem judicial para uma nova avaliação médica. "O filho mais velho ele teve muita reação adversa às primeiras vacinas e as reações foram por causa do alumínio e do mercúrio", explicou Adriana. "E tem o atestado médico, então, que confirma que essas vacinas fizeram muito mal a ele e o profissional contraindicou que ele tomasse mais. Da mesma forma, a Sofia também tem atestados médicos. O atestado médico é um documento que tem fé pública. Ninguém pode contestar um atestado médico, a não ser que surja indícios de alguma irregularidade. Mas não havendo nenhum indício, o atestado médico não pode ser questionado." Advogada relata intimidação à defesa Adriana relata ainda cerceamento de defesa, com a realização de audiência dentro da casa de acolhimento sem a presença de advogados, ambiente considerado hostil, revistas vexatórias e intimidação policial. Além disso, tanto os pais quanto seus advogados estão proibidos de falar sobre o caso sob a justificativa de segredo de Justiça. A defesa do casal de Arroio Grande prepara mandado de segurança e denúncia aos órgãos competentes. "Eu quero só mencionar que eu não tenho intuito nenhum de desafiar o Judiciário com a minha participação aqui", afirmou, durante a entrevista. "Eu estou atuando estritamente dentro do meu direito como advogada, atendendo ao segredo de Justiça, mas não me submetendo a uma decisão que indiscutivelmente é abusiva." Para a defesa, o caso ultrapassa o debate sobre vacinação e expõe uma violação grave ao direito fundamental à convivência familiar. A defesa busca a reversão imediata da medida e o retorno das crianças aos pais. Entenda o caso das crianças de Arroio Grande (RS) Filhos do casal Douglas e Paola Kalaitzis têm laudo médico de alergia a componentes de vacinas | Foto: Reprodução/X O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ordenou, em 20 de novembro, que os dois filhos de Douglas e Paola Kalaitzis, fossem retirados dos pais e enviados a um orfanato no município gaúcho de Arroio Grande. De acordo com o casal, que desde então batalha para reaver a guarda, a retirada aconteceu devido à falta de vacinação das crianças. Os filhos de Douglas e Paola, um menino de quatro anos e uma menina de um ano, estão há mais de um mês na Casa de Passagem Novo Amanhecer. O lugar já foi palco de estupros de menores e homicídios, segundo o portal oficial do MPRS. Em 2013, uma funcionária foi condenada por, em conjunto com um adolescente com quem mantinha relacionamento, estuprar três meninas de 15 anos nas dependências da casa de passagem. A dupla também assassinou um homem que passava em frente ao abrigo. Os crimes só foram descobertos quando uma das meninas saiu do abrigo, em dezembro de 2011, e, livre das ameaças de morte, revelou as informações à polícia. Para saber mais sobre o caso, leia a reportagem de Isabela Jordão no site da Revista Oeste O post ‘Retirada das crianças ocorreu sem base legal’, relata advogada de casal de Arroio Grande apareceu primeiro em Revista Oeste .