As últimas decisões do Tribunal de Contas da União sobre a liquidação do banco Master pelo Banco Central estão gerando insatisfação no mercado e dentro do próprio tribunal. Ex-presidentes e diretores do BC que hoje estão no mercado avaliam como inusitada e preocupante a entrada do TCU em ações para avaliar a liquidação do Master. Eles dizem que o BC pode e deve ser fiscalizado, mas por instâncias competentes, e o tribunal de contas não é uma delas. Até no TCU há um sentimento de estranheza entre alguns dos ministros do tribunal. O blog ouviu dois ministros reservadamente sobre as decisões do tribunal atingindo o Banco Central. Eles temem o uso político do tribunal para favorecer o dono do Master, Daniel Vorcaro, e seus aliados. “Tomara que fique apenas no campo das inspeções meramente técnicas, porque não terá amparo do plenário qualquer medida que avance o sinal”, relatou um ministro ao blog. Atendendo a uma provocação do Ministério Público junto ao TCU e a um pedido da liderança da minoria na Câmara dos Deputados, o ministro Jonathan de Jesus pediu explicações ao BC sobre a liquidação do Master, classificando a decisão de “precipitada”. Nesta segunda-feira (29), o BC enviou um relatório detalhado sobre o caso Master, mostrando como a instituição acabou ficando sem condições financeiras de funcionar e honrar seus compromissos. Nesta sexta-feira (02), o presidente do TCU, Vital do Rêgo, acatou pedido dos técnicos do tribunal para que eles tivessem acesso aos documentos que serviram de base para o Banco Central formular seu relatório solicitado pelo ministro Jonathan de Jesus. A área técnica agora vai confrontar o relatório com os documentos para fechar um parecer a ser encaminhado ao gabinete do ministro Jonathan de Jesus, responsável pelo caso no tribunal. Jonathan de Jesus faz parte da cota de indicações da Câmara dos Deputados e teve o apoio do Centrão para ser escolhido ministro do tribunal. Líderes do Centrão são ligados ao dono do Master. Os ministros ouvidos pelo blog acreditam, porém, que Jonathan de Jesus não deve tomar nenhuma medida contra a decisão do Banco Central porque não teria amparo técnico para isso. Além disso, essa não é uma área de atuação do TCU. “Está tudo muito estranho e perigoso neste caso do Master. Políticos que antes defendiam a autonomia do Banco Central agora parecem atuar para pressionar o BC no caso Master pelas ligações políticas com Vorcaro. Não podemos fragilizar uma instituição tão importante para o país e que tem atuado com responsabilidade”, defende um agente do mercado, que já fez parte da diretoria do BC.