Parlamentares aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizaram o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) após a Polícia Federal (PF) determinar o retorno dele ao cargo de escrivão da corporação, do qual havia se licenciado para exercer o mandato na Câmara até ser cassado por faltas. O ato foi assinado pelo diretor de gestão de pessoas substituto Licinio Nunes de Moraes Netto no dia 31 de dezembro, e publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União (DOU). Número 13 entre os acertos: Bolsonaro e irmão ganham na quadra da Mega da Virada em bolão Trama golpista: PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que a decisão representa o "fim da mamata bolsonarista": "A regra é clara: quem não aparece, perde o emprego”, escreveu o parlamentar nas redes socias.“É revoltante ver como o bolsonarismo sempre tenta transformar o Estado em extensão dos seus privilégios”, escreveu. Initial plugin text Ao longo de 2025, Eduardo foi alvo de processos administrativos disciplinares por protagonizar ataques à PF e ameaçar publicamente delegados federais. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) criticou o retorno do filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao cargo após, segundo a psolista, ele passar "anos afastado para fazer política, atacar a democracia e desmoralizar as instituições". Initial plugin text “É revoltante ver como o bolsonarismo sempre tenta transformar o Estado em extensão dos seus privilégios (...) Agora, a Polícia Federal determina seu retorno ao cargo de escrivão da instituição como se nada tivesse acontecido. É um absurdo e um escárnio", escreveu. A deputada federal Erika Kokay, por sua vez, ironizou a decisão que determina o retorno de Eduardo ao trabalho. Initial plugin text “Vai ter que trabalhar. Sem mandato e sem temporada nos EUA. Eduardo Bolsonaro de volta ao expediente. Será que ainda sabe bater ponto?”, afirmou. A decisão da PF menciona o "retorno imediato" de Eduardo "para fins exclusivamente declaratórios e de regularização da situação funcional” ao exercício do cargo na Delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis (DPF/ARS/RJ), chefiada pelo delegado Clayton Lúcio Santos de Souza. "A ausência injustificada poderá ensejar a adoção das providências administrativas e disciplinares cabíveis", ressalta o documento. Mandato cassado Eduardo teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara no último dia 18 por atos administrativos assinados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e demais integrantes da gestão, sem votação em plenário. Ele está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Com base no artigo 55 da Constituição, a decisão afirma que o deputado perdeu o cargo “por ter deixado de comparecer, na presente sessão legislativa, à terça parte das sessões deliberativas da Câmara dos Deputados”, o que autoriza a cassação automática por ato administrativo. O ex-parlamentar também é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), sua permanência nos EUA, onde teria trabalhado para articular sanções contra autoridades brasileiras, buscou pressionar e intimidar o STF às vésperas do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. “A grave ameaça materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky a este ministro relator”, disse à época o ministro Alexandre de Moraes, um dos alvos das sanções americanas. Como Eduardo não apresentou resposta formal à acusação, a Defensoria Pública da União (DPU) assumiu sua defesa. O órgão alega que as declarações do réu em que defendia sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras foram feitas como parte do mandato de deputado e devem ser protegidas pela imunidade parlamentar. Processo disciplinar da PF Em setembro de 2025, a PF também abriu um processo administrativo disciplinar contra Eduardo para investigar a atuação do ex-parlamentar nos Estados Unidos pela imposição de sanções ao Brasil. A representação foi protocolada pelo ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (Psol), àquela altura ainda deputado federal, com o objetivo de "demitir Eduardo do cargo de escrivão". Ao longo do último ano, o filho de Jair Bolsonaro também se envolveu em polêmicas ao criticar e ameaçar delegados federais em público. Em julho, durante uma live, ele fez ameaças à corporação dois dias após uma operação que teve seu pai como alvo. O parlamentar atacou policiais e citou o delegado Fábio Shor, responsável pelos principais inquéritos contra Bolsonaro. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tratou as declarações como uma "covarde tentativa de intimidação". Eduardo já foi alvo de outro procedimento administrativo disciplinar no início do ano por declarações anteriores contra Shor. "Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente", afirmou o parlamentar sobre as recentes ações da corporação. Após os ataques, Rodrigues disse que a PF adotaria as providências legais cabíveis, incluindo os novos ataques nas investigações já em andamento: — Já encaminhei formalmente para a Diretoria de Inteligência os vídeos em que o cidadão ameaça o STF e a PF, para ações de polícia judiciária — informou Andrei Rodrigues à época.