Duas pessoas morreram e dezenas de casas desabaram nesta sexta-feira em decorrência de um terremoto de magnitude 6,5, com epicentro no estado de Guerrero, no sudoeste do México. O tremor atingiu a turística região da costa do Pacífico e a capital do país, nas proximidades. 'Não perco a esperança': Quarenta horas após incêndio na Suíça, mãe ainda procura filho desaparecido Ajuda humanitária: ONU e outros países pedem que Israel reverta decisão de revogar licença de ONGs que atuam em Gaza O terremoto foi registrado pouco antes das 8h e teve magnitude 6,5, informou o Serviço Sismológico Nacional. As autoridades relataram inicialmente que não havia “danos graves”, mas horas depois foi confirmada a morte de uma pessoa na Cidade do México e de outra na localidade de San Marcos, a 15 quilômetros do epicentro. Na capital, um homem de 60 anos morreu ao cair enquanto evacuava sua residência durante o tremor. "O homem saiu do apartamento no segundo andar, tropeçou e perdeu a consciência", informou o governo da prefeitura local. Além disso, 12 pessoas ficaram feridas, segundo a prefeita da capital, Clara Brugada. Em San Marcos, uma mulher de cerca de 50 anos "perdeu a vida em consequência do desabamento de sua casa" declarou a governadora de Guerrero, Evelyn Salgado. "Ela estava preparando o café, era cedo, e de repente tudo isso veio abaixo" contou à AFP Edith Gaspar, familiar da vítima, apontando os restos das paredes e do teto da casa que desabou. Na localidade, cerca de 50 casas ruíram e "em todo o município, as residências estão rachadas" afirmou o prefeito Misael Lorenzo Castillo. Um dos moradores, Rogelio Moreno, mostrou à AFP as fissuras que atravessam sua casa e lamentou que "San Marcos está muito danificada, está devastada". Galerias Relacionadas "O susto foi horrível" O chão começou a tremer às 7h58, horário local (10h58 em Brasília), levando os moradores da capital a evacuarem suas casas. "Eu ainda estava dormindo quando o alarme da rua começou a tocar", disse à AFP Karen Gómez, de 47 anos, moradora do 13º andar de um prédio no bairro de Álvaro Obregón, na Cidade do México. "O alarme do celular me assustou muito", explicou Gómez, funcionária de uma empresa, referindo-se a um sistema de alerta por celular implementado recentemente pelo governo mexicano em 2025. "O susto foi horrível; dava para sentir o prédio tremendo", disse Norma Ortega, de 57 anos, moradora de um prédio próximo. Em Acapulco, Ricardo, um turista que deixou seu hotel sem camisa, lamentou estar "começando o ano com este susto", comentou nervoso. O viajante do estado de Morelos, no centro do México, disse à AFP que sentiu uma réplica do lado de fora de sua hospedagem. Até as 09h00 locais (12h00 em Brasília), haviam sido registradas 151 réplicas, de acordo com o Serviço Sismológico Nacional. Outros terremotos Parte da Cidade do México, principalmente a área central, foi construída sobre o subsolo lamacento do que antes era um lago, o que a torna particularmente vulnerável a terremotos. Os mais sentidos são aqueles que se originam na costa de Guerrero, a menos de 400 km. Em 19 de setembro de 1985, um terremoto de magnitude 8,1 devastou uma grande área da Cidade do México. Com seu epicentro na costa do Pacífico, entre Guerrero e Michoacán, também abalou grande parte do centro e sul do México. Durante anos, as estimativas oficiais do número de mortos no terremoto de 1985 variaram. De acordo com uma contagem de certidões de óbito oficiais publicada em 2015, foram 12.843 mortos. Turista é assistida durante evacuação de hotel em terremoto no México FRANCISCO ROBLES / AFP Também em 19 de setembro de 2017, um sismo de magnitude 7,1 deixou 369 mortos, a maioria na Cidade do México. Com o apoio do Serviço Sismológico Nacional, foram desenvolvidos sistemas de alerta, incluindo aplicativos para smartphones, que avisam sobre terremotos fortes e dão aos moradores da capital até um minuto para ficarem em segurança. O governo da cidade instalou alto-falantes em postes de iluminação pública que transmitem o "alerta sísmico". O México está situado entre cinco placas tectônicas, cujos movimentos fazem do país um dos que registra maior atividade sísmica no mundo, particularmente na costa do Pacífico, da fronteira com a Guatemala até o estado de Jalisco (oeste).