Criada nos bastidores da TV, Giulia Costa, de 25 anos, cresceu cercada por câmeras e marcações de cena. Filha da atriz Flávia Alessandra e do diretor Marcos Paulo (1951-2012), estreou em “Malhação” aos 15, e, desde então, vem construindo uma trajetória multifacetada: cria conteúdo, atua, apresenta, dirige e empreende ao lado da família. Agora, arrisca os passos do pai, assumindo a direção da série “Pescadora de experiências”, uma especie de “diário filmado” em que registra viagens, vivências e reflexões de sua geração sobre bem-estar e saúde mental, e exibe em seu canal do YouTube. “Quero ampliar minha atuação na direção ao longo de 2026”, diz. Em paralelo, continua apresentando o podcast “Pé no sofá”, ao lado da mãe, lançado em 2025. “Giulia acha que é um defeito ser tão sensível, mas vejo o contrário: é uma grande vantagem manter-se assim, mesmo diante de julgamentos e do bombardeio que a exposição traz”, analisa Flávia. Para Giulia, lidar com comentários negativos na internet é enfrentar “microtraumas” e agressões diárias, principalmente quando falam sobre seu corpo. “Comecei a ter crises de ansiedade, preocupação excessiva com a opinião alheia, de nunca achar que basto e sou suficiente. Fiquei sem qualquer segurança nesse lugar”, confessa. “É sobre resistir nos dias difíceis. Estou muito melhor do que anos atrás, mas ainda tenho dias desafiadores.” A família testemunha seu crescimento pessoal. Otaviano Costa, o padrasto, reforça a rede de apoio. “No começo, ficamos preocupados quando ela decidiu abordar pautas sensíveis nas redes sociais e no podcast, de maneira corajosa e valiosa. Mas, aos poucos , sentimos mais segurança da parte dela”, avalia. Em um dos episódios do “Pé no sofá”, Giulia revisitou memórias marcantes com o pai, e expôs um tema que conversa somente nas sessões de terapia: a luta do diretor contra o alcoolismo. “Sentia uma culpa muito grande, como se não tivesse o ‘direito’ de falar sobre isso. Ainda é um assunto que não é claro para mim, como me afetou, o que aprendi. Era muito nova quando ele morreu, tinha 12 anos, não compreendia muita coisa na época. Fui entender depois.” Para o fotógrafo Caio Novaes, um dos seus melhores amigos, o relato revela justamente a força que sempre percebeu na atriz. “Mesmo diante de perdas e situações difíceis, ela sempre encarou tudo com coragem”, declara.