Verões do Rio: as histórias de Sheila Roza, a 'dona do réveillon' de Copacabana

Réveillon, chegada de Papai Noel no Maracanã e carnaval são grandes celebrações populares do Rio que têm algo em comum: o verão. Há décadas, é nessa estação que eventos capazes de projetar a cidade para o mundo ocupam ruas e praias. Essa conexão entre clima, público e festa foi percebida há mais de 40 anos por Sheila Roza, 76, fundadora da SRCOM, que ajudou a consolidar essas comemorações no calendário carioca. Réveillon 2026: governo do Rio diz que virada teve 138 ocorrências policiais no estado Mil verões: em vídeos, personalidades abrem suas memórias sobre a estação que a cara do Rio e Fernando Gabeira foi o primeiro; assista As experiências, além de movimentar a economia da cidade — só o Réveillon atrai R$ 3 bilhões -- projetam a imagem do Rio mundo afora ou nos arredores: também estão no escopo de suas criações o Projeto Aquarius, do GLOBO, que leva música clássica a públicos amplos e diversos, e a abertura e o encerramento das Olimpíadas de 2016, que entraram para a História dos jogos e da cidade. Por todos esses motivos, Sheila é a segunda personagem da série "Mil e uma histórias de verão", em que figuras do Rio abrem suas melhores histórias da estação em vídeos que vão ao ar nas redes sociais do jornal. Mil histórias de verão: Verões inesquecíveis de Sheila Roza — O verão é liberdade, o verão é alegria, o verão é a nossa cara. Eu quase que diria que é renascimento. E eu acho que pra viver aqui você tem que realmente assumir a carioquice. A gente é alegre, gosta de viver — resume a empresária. Resgates no mar: só na região de Copacabana, durante a virada, foram quase 20 vezes mais que no ano passado Sheila Roza pode ser chamada de "a dona do Réveillon de Copacabana": faz a festa da praia há pelo menos 17 anos e diz: "Hoje, os tempos são outros. A tecnologia é um grande componente". Entre seus verões inesquecíveis, estão, é claro, festas como a desta semana, em que tradição e inovação, com fogos e drones, deram um show a céu aberto, e eventos que estão em fotografias e nas lembranças de quem se entrega à magia de dezembro. O rei e o bom velhinho Público recorde, shows incríveis, barracas na areia: veja os pontos altos e baixos da festa de réveillon em Copacabana A Chegada do Papai Noel, evento criado pelo GLOBO, ganhou os corações de crianças e adultos das décadas de 1960 a 2000. Foi das ruas para o Estádio do Maracanã, onde um público recorde de mais de 200 mil pessoas chegou a se reuniu para ver Os Trapalhões, Xuxa, Fábio Jr. e, claro, o Bom Velhinho. A edição que teve como um dos convidados o Rei Roberto Carlos foi eleita pela empresária uma de suas mil e uma histórias de verão para nunca esquecer. Roberto Carlos em show na chegada de Papai Noel no Maracanã em 1981 Eurico Dantas / Agência O Globo — Nos anos 80, 90, quando fazíamos a chegada do Papai Noel no Maracanã, eu trabalhava no Globo, onde fiquei até 86. Um dia a gente fazendo uma reunião, pensei: "E se o Roberto Carlos cantar"? Era muito difícil, mas decidi que ia tentar. Ele ia fazer uma gravação no Teatro Fênix e fui até lá convidá-lo. Fiquei algumas horas esperando... Era um convite para ele cantar sem cachê, com portões abertos... — lembra Sheila, que frisa que seus colegas ficaram incrédulos com a coragem. — No intervalo da gravação na Globo, falei com o Roberto Carlos: "A gente faz uma festa assim, sem cachê. Do público, quem quiser vai. É uma festa linda. Você não vai ficar arrependido, nem se aborrecer, nem ficar triste. É uma festa que vai te dar muito prazer". O Rei pediu para pensar e responder em dois dias. Passada a data combinada, um de seus assistentes ligou para Sheila e confirmou a presença. Sheila lembra que emoções viveu: Vídeo: veja dicas de guarda-vidas que faz sucesso nas redes sociais para aproveitar a praia sem riscos neste verão — Uma alegria geral, todo mundo ficou feliz. Nós não divulgamos porque senão, o que poderia acontecer seria: em vez de crianças, poderiam aparecer muitas mulheres. Ele foi, as pessoas tiveram essa surpresa. Foi uma apresentação linda. Ele cantou e, quando Papai Noel já estava rodeando o Maracanã, eu vejo o Roberto Carlos num túnel ali meio escondidinho. Pensei: "Será que houve alguma coisa?". Fui até ele perguntar... E ele disse: "Não... Eu quero ver a Chegada do Papai Noel". Era muita emoção. Valeu por tudo: pela emoção das crianças, pelo Roberto. Não existe memória sem emoção. Sem ela, é impossível guardar as lembranças na cabeça. Lançamento da marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016 na festa da virada de 2010 para 2011 em Copacabana Fotos Fabio Rossi / Agencia O Globo/31-10-2010 Décadas depois, outras emoções inimagináveis tomaram a vida da empresária e matriarca. No Réveillon de 2011, quando o Rio já planejava as Olimpíadas de 2016, Sheila anunciou com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, no palco de Copacabana, quais seriam as logomarcas dos Jogos. Na noite de magia pelos fogos e pelo futuro que se anunciava, o Rio se empolgava com o fato de que sediaria um dos eventos mais importantes do mundo. As aberturas e o encerramento das Olimpíadas foram, também, um marco do último grande trabalho em família de Sheila, do marido, Abel Gomes, e do filho, Flávio Machado, que morreu no ano seguinte do evento, em 2017, após lutar contra um câncer. Verão 2026: assistir a show direto da piscina, hidratante labial para beijar na boca e mais hits da nova estação no Rio — Foi um presente suado, mas um presente (ter a chance de fazer as aberturas e o encerramento das Olimpíadas). E nós apresentamos ao público as logomarcas lindas. Todo mundo dizia assim: "Vai ser um caos fazer as Olimpíadas no Brasil". E depois, no mundo inteiro, não teve uma pessoa que dissesse alguma coisa contra. Foi tudo a favor — recorda Sheila, que lembra também o que sentiu após perder o filho de 41 anos, em 2017 e de se lembrar se seus momentos nos palcos das comemorações: — Eu tive um marido e um filho trabalhando nas Olimpíadas junto. Então, a noite daquele anúncio foi realmente uma coisa muito especial para nós, foi um verão muito importante na minha vida. Ele fez as Olimpíadas e no ano seguinte foi embora. Mas foi com essa alegria, de ter feito algo lindo.