Da recompensa dobrada à captura de Maduro: entenda a escalada de tensões entre EUA e Venezuela

Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram ataques contra a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. Várias explosões atingiram a capital do país, Caracas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: As tensões entre Venezuela e EUA começaram em agosto, quando o governo norte-americano dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. Pouco tempo depois, a presença militar no Caribe foi reforçada. O presidente venezuelano é acusado pelo governo americano de liderar o chamado Cartel de los Soles. O grupo foi classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional ligada ao tráfico de drogas. Com essa classificação, autoridades americanas passaram a afirmar que integrantes do regime venezuelano poderiam ser considerados alvos legítimos em operações militares contra cartéis de drogas. Ataques: Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. As explosões começaram por volta das 2h, pelo horário local (3h, em Brasília). Trump confirmou o ataque e disse que Maduro foi capturado e levado com a esposa para fora do país. Segundo o governo da Venezuela, ataques atingiram Caracas e também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O governo venezuelano declarou emergência e acusou os EUA de bombardearem alvos civis e militares. Até a última atualização, não havia informações oficiais sobre feridos. Nos últimos meses, Trump já havia dito que os EUA poderiam realizar ataques terrestres contra a Venezuela, como parte da campanha contra cartéis na região. Por outro lado, ao longo desse período, o governo venezuelano vinha classificando as ações de Trump como imperialistas e afirmando que os EUA tentam tomar o controle do petróleo do país e derrubar o governo de Nicolás Maduro. Veja abaixo os principais marcos da escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela nos últimos quatro meses. ️ Agosto Trump e Maduro AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez Os Estados Unidos dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro. Pouco depois, navios de guerra e um submarino nuclear foram enviados ao Mar do Caribe, marcando o início do reforço militar na região. No dia 19 de agosto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump usaria “toda a força” contra o regime venezuelano. “Maduro não é um presidente legítimo. Ele é um fugitivo e chefe de um cartel narcoterrorista acusado nos EUA de tráfico de drogas. Trump está preparado para usar toda a força americana para deter o tráfico de drogas”, disse. ️ Setembro O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante coletiva de imprensa em 1º de setembro de 2025 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria No dia 2, os Estados Unidos realizaram o primeiro ataque contra um barco supostamente carregado com drogas no Mar do Caribe. A partir desse episódio, ações em mar aberto se tornaram frequentes e passaram a ocorrer também no Oceano Pacífico. No fim do mês, o governo da Venezuela decretou estado de exceção, concedendo poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de “agressão” por parte dos Estados Unidos. ️ Outubro Donald Trump em pronunciamento na Casa Branca, em 15 de outubro de 2025 ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Trump anunciou ter autorizado operações da CIA na Venezuela relacionadas à campanha contra o narcotráfico e admitiu a possibilidade de ataques terrestres. Semanas depois, afirmou que havia alvos localizados em território venezuelano. No mesmo período, a imprensa americana passou a reportar que o objetivo final da operação dos EUA no Caribe seria derrubar o governo Maduro, com base em relatos de autoridades americanas que falaram sob condição de anonimato. No dia 15 de outubro, três bombardeiros B-52 fizeram um voo em uma região muito próxima da Venezuela. As aeronaves sobrevoaram a chamada “FIR” — sigla em inglês para Região de Informação de Voo. ️ Novembro Porta-aviões USS Gerald Ford, navio principal do grupo de ataque USS Gerald Ford da Marinha dos Estados Unidos. Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos No início do mês, o USS Gerald Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, chegou ao Mar do Caribe. A embarcação tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros. Ainda em novembro, Trump e Maduro conversaram por telefone, mas sem avanços. Segundo a imprensa americana, o presidente venezuelano resistiu a deixar o poder. Dias depois da ligação, o governo dos Estados Unidos incluiu oficialmente o Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas. O grupo é apontado pelas autoridades americanas como chefiado por Maduro. ️ Dezembro EUA interceptam 2º petroleiro e aumentam pressão sobre Maduro Reprodução No dia 10, os Estados Unidos apreenderam uma embarcação que transportava petróleo venezuelano no Caribe. Seis dias depois, Trump afirmou que a Venezuela estava cercada e anunciou um bloqueio total de navios petroleiros alvos de sanções. No dia 18 de dezembro, ao menos cinco caças F-18 dos EUA sobrevoaram uma área próxima a Caracas. Dois deles chegaram a ficar a menos de 100 quilômetros da capital venezuelana. O rastreamento indicou ainda a presença de outras duas aeronaves militares na região. Nesta segunda-feira, no mesmo dia em que Trump confirmou o ataque em solo venezuelano, o Departamento de Guerra anunciou o 30º bombardeio contra barcos suspeitos de transportar drogas. Ao todo, até agora, a operação norte-americana atingiu mais de 30 embarcações e deixou 115 mortos, segundo dados divulgados pelo governo dos EUA. 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