Mesmo com captura de Maduro, futuro da Venezuela ainda é incerto

No mesmo momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ao mundo que uma operação militar americana tinha capturado o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira dama, Cilia Flores, o ministro da Defesa do país, general Vladimir Padrino López, divulgou um vídeo através de redes sociais e do canal de TV Telesur dando detalhes do ataque sofrido por seu país. Os dois fatos deixam claro que a derrubada de Maduro pode não implicar, pelo menos não imediatamente, a derrubada do chavismo. Fontes em Caracas especulam com a possibilidade de que Maduro tenha sido “entregue aos americanos” por militares venezuelanos. Que militares? Até o momento, ninguém tem essa resposta. Mas a possibilidade de algum tipo de colaboração interna com as Forças Armadas dos EUA não pode ser descartada. Padrino López comanda a pasta da Defesa há mais de dez anos, e sempre foi considerado um aliado incondicional de Maduro. Nos últimos meses, as tentativas da oposição e dos EUA de provocar um racha na Força Armada Militar Bolivariana (Fanb) foram permanentes. Talvez esse objetivo tenha sido alcançado. Que papel teve Padrino nesse eventual racha, outra pergunta ainda sem resposta. Em sua declaração, o general rejeita a possibilidade de "uma mudança de regime". Fala em "resistir" e "vencer", e diz estar cumprindo ordens do "presidente" Maduro que, a essa altura, segundo informou Trump, já estava fora do país. O general Pedrino López tem sua residência no Forte Tiuna, um dos alvos militares da operação americana desta madrugada. Em meio a rumores sobre sua morte, o ministro apareceu no vídeo com seu uniforme e dando detalhes dos ataques. Falou em mísseis e defendeu a unidade do país. Será Padrino o homem da resistência, ou, quem sabe, o futuro homem forte da Venezuela, com aval dos EUA? Nada pode ser descartado. O chavismo poderia sobreviver, e mutar. Maduro era o presidente do país, mas o chavismo vai muito além do agora deposto presidente venezuelano. Com todo esse pano de fundo, chama a atenção o silencio da líder opositora María Corina Machado e do ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que, em todo momento, defenderam uma intervenção estrangeira no país e pediram o apoio dos militares venezuelanos para tirar Maduro do poder.