Veja o que se sabe até agora sobre ataque à Venezuela e captura de Maduro Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez passou ao centro da crise política no país. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, ela afirmou que o paradeiro de Maduro e de sua esposa é desconhecido, exigiu “prova de vida” do presidente e classificou a ação como uma agressão estrangeira. Pela Constituição venezuelana, caso a remoção do chefe de Estado seja confirmada, cabe à vice assumir interinamente a Presidência. AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias em tempo real ➡️Figura central do chavismo, Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. É filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, partido marxista, morto em 1976 enquanto estava sob custódia policial, e de Delcy Gómez. É irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente da Venezuela e ex-prefeito de Caracas, um dos principais articuladores políticos do regime. Delcy Rodríguez acumula os cargos de vice-presidente executiva e ministra do Petróleo. Getty Images via BBC ➡️Advogada especializada em direito do trabalho, formou-se na Universidade Central da Venezuela e afirma ter feito pós-graduação em Paris e em Londres. Atuou como professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas. ➡️Na vida pessoal, não é casada, não tem filhos e teve relacionamentos conhecidos, entre eles com o ator Fernando Carrillo, até 2007, e, mais recentemente, com Yussef Abou Nassif Smaili, citado como seu parceiro em viagens oficiais. ➡️A trajetória política começou em 2003, ainda no governo de Hugo Chávez, em cargos técnicos ligados à Vice-Presidência e ao Ministério de Energia e Minas. A partir daí, acumulou funções de crescente peso no núcleo do poder chavista, tanto na política interna quanto na diplomacia. Entre os principais cargos ocupados ao longo da carreira estão: vice-ministra para Assuntos Europeus, em 2005; ministra de Assuntos Presidenciais, em 2006; ministra da Comunicação e Informação, entre 2013 e 2014; ministra das Relações Exteriores, de 2014 a 2017; presidente da Assembleia Nacional Constituinte, entre 2017 e 2018; vice-presidente executiva da Venezuela, desde 14 de junho de 2018, cargo contestado pela oposição entre 2019 e 2023; ministra do Petróleo e da Economia, entre 2024 e 2025. Integrante da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Delcy Rodríguez também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018 como braço político e social do governo. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das vozes mais duras do chavismo contra pressões internacionais. ➡️Desde 2018, ela é alvo de sanções impostas por diferentes países e blocos. As medidas incluem congelamento de ativos e restrições de entrada no exterior, aplicadas por: Estados Unidos, por acusações de corrupção e violações humanitárias; União Europeia, por minar a democracia venezuelana; Canadá, México e Suíça. Nos meses que antecederam a atual crise, Delcy intensificou o discurso contra Washington: Em dezembro de 2025, classificou como “roubo e sequestro” a apreensão de navios petroleiros venezuelanos pelos Estados Unidos e prometeu recorrer à ONU e a outras instâncias internacionais. Também condenou a renovação de sanções contra empresas como a Chevron e a venda forçada da Citgo, subsidiária da PDVSA em território americano, afirmando que essas medidas “roubaram 99% da renda nacional”. Com perfil combativo e presença constante nos momentos de maior tensão institucional, Delcy Rodríguez emerge como a principal figura do chavismo diante da ofensiva militar anunciada por Trump e da incerteza sobre o destino de Nicolás Maduro.