Lula tentou costurar saída diplomática entre Trump e Maduro e alertou contra ‘guerra fratricida’ antes de ofensiva na Venezuela

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as forças norte-americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro ocorre semanas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se colocado publicamente à disposição para atuar como mediador e defender, em declarações a jornalistas, que a crise deveria ser resolvida por via diplomática. Na manhã deste sábado, Trump afirmou que Maduro e a esposa foram “capturados e retirados do país por via aérea” após a operação. O governo americano não divulgou, até aqui, detalhes sobre o destino do líder venezuelano nem a base legal da captura. Em Brasília, o governo brasileiro reuniu equipes para apurar informações antes de se posicionar, diante da gravidade e do potencial impacto regional do episódio. Em 18 de dezembro, Lula afirmou que já havia oferecido a Trump e a Maduro a mediação do Brasil para evitar uma escalada militar e disse que pretendia voltar a falar com o presidente americano antes do Natal. Na ocasião, o petista declarou que estava “à disposição” de ambos os governos e afirmou que buscaria contribuir para “um acordo diplomático e não uma guerra fratricida”. Na mesma fala, Lula relatou ter dito a Trump que “as coisas não se resolveriam dando tiro” e que não via clareza sobre quais interesses estariam motivando a pressão americana sobre Caracas, mencionando, como hipóteses, petróleo e minerais estratégicos. Também afirmou que cobrou de Maduro objetividade sobre o que esperaria do Brasil, caso aceitasse uma tentativa de mediação. Dois dias depois, em 20 de dezembro, Lula voltou a abordar o tema e afirmou que uma intervenção na Venezuela poderia produzir uma catástrofe humanitária, reiterando a intenção de conversar novamente com Trump e relatando ter orientado o chanceler Mauro Vieira a acompanhar de perto a evolução do cenário. A disposição do Planalto para atuar como ponte foi acompanhada, nos bastidores, por alertas sobre o risco de a escalada militar arrastar a região para um conflito prolongado. Em 8 de dezembro, o assessor especial Celso Amorim disse que uma invasão poderia gerar algo semelhante ao Vietnã, com potencial de transformar a América do Sul em zona de guerra. Houve, ainda, contatos diretos com Caracas durante o período de tensão. Lula e Maduro fizeram uma conversa telefônica breve em 2 de dezembro para tratar da situação política e de segurança no Caribe e na América do Sul, em meio ao aumento da presença militar americana na região.