Exército reforça Operação Acolhida e mantém tropas em alerta após ataque dos EUA à Venezuela

O Exército reforçou a equipe de pessoal que atua na Operação Acolhida, na fronteira com a Venezuela, para o atendimento de refugiados após o ataque anunciado pelos Estados Unidos ao país vizinho. Segundo um oficial de alta patente, não houve envio de novas tropas para a região fronteiriça, mas os destacamentos militares permanecem em estado de alerta, com a orientação de cumprir o papel institucional de preservação da área. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise regional após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que forças dos Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar em território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que teria sido retirado do país por via aérea. Washington não informou, até o momento, o destino de Maduro nem a base legal da operação, o que elevou a tensão diplomática na América do Sul. Diante do acirramento do conflito, as Forças Armadas devem manter postura de neutralidade em relação à ofensiva anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, segundo relatos de integrantes do setor militar. A diretriz ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenar publicamente a ação e defender uma resposta da comunidade internacional, sem envolvimento militar brasileiro. A orientação entre os comandantes das Forças e no Ministério da Defesa é deixar que o Ministério das Relações Exteriores conduza a questão diplomática. Avaliações internas apontam que manifestações, favoráveis ou contrárias ao governo americano, poderiam trazer consequências institucionais às Forças Armadas, que mantêm cooperação e contratos com os Estados Unidos, além de tensionar a relação com o Palácio do Planalto. Embora o Brasil não faça fronteira marítima com a Venezuela, a Marinha segue com o patrulhamento regular da área costeira conhecida como Amazônia Azul. A Força Aérea, por sua vez, mantém as atividades de vigilância e defesa do espaço aéreo, sem alteração de protocolos, segundo fontes militares. O foco na fronteira terrestre com a Venezuela vinha sendo reforçado desde que as ameaças de Trump ao governo de Nicolás Maduro se tornaram mais explícitas, com o envio de armamentos e o aumento da presença militar americana na região do Caribe. De acordo com um oficial ouvido pela reportagem, o ataque “não surpreendeu”, mas foi descrito como “um começo de ano que ninguém queria”, diante dos riscos humanitários e de instabilidade regional. Nos bastidores, a avaliação é de que a prioridade permanece sendo o atendimento humanitário e a preservação da estabilidade na faixa de fronteira, enquanto o governo brasileiro acompanha os desdobramentos diplomáticos antes de qualquer nova medida.