De acordo com oficiais do exército ouvidos pela emissora americana CBS News, equipes da Delta Force, uma espécie de "tropa de elite" das Forças Armadas dos Estados Unidos, foram responsáveis pelo ataque à Venezuela na madrugada deste sábado, que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores A Delta Force, chamada oficialmente de 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais do Exército dos EUA – Delta (1SFOD-D), é a principal unidade de missões especiais do Exército americano e foi também a responsável pela missão de 2019 que matou o ex-líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi. As missões da unidade envolvem principalmente contraterrorismo, resgate de reféns, ações diretas e reconhecimento especial, muitas vezes contra alvos de alto valor para o governo americano. As informações sobre suas atividades, porém, são consideradas classificadas, e a própria existência da Delta Force não era conhecida por um tempo. A unidade foi criada em novembro de 1977 pelo coronel do Exército dos EUA que atuou na Guerra do Vietnã Charles Beckwith como resposta direta a uma série de atentados terroristas que ocorreram ao longo da década de 1970. A ideia já havia sido proposta por Beckwith há uma década, mas estava engavetada até o aumento da ameaça de terrorismo internacional. A primeira missão da unidade foi chamada de Operação Eagle Claw, em 1980, destinada a resgatar cerca de 50 reféns americanos da Embaixada dos Estados Unidos no Irã, liderada por Beckwith. A ação, no entanto, fracassou, o que levou posteriormente à criação do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), que controla hoje a Delta Force. O que se sabe sobre os bombardeios dos EUA à Venezuela Os EUA lançaram uma série de ataques aéreos contra a Venezuela na madrugada de sábado, e o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as forças de seu país capturaram e retiraram do país o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Quando os ataques foram lançados? As primeiras explosões fortes foram ouvidas pouco antes das 2h (3h no horário de Brasília) em Caracas e arredores, e continuaram até as 3h15 (4h15 no horário de Brasília), segundo a AFP. Imagens que circulam nas redes sociais mostram mísseis cruzando o céu e depois atingindo alvos. Também foram vistos helicópteros sobrevoando Caracas. Pouco antes das 7h no horário local (8h em Brasília), um senador americano declarou que Washington havia concluído sua operação militar. Quais foram os alvos dos bombardeios? Explosões seguidas de colunas de fumaça e incêndios atingiram o Forte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, sede do Ministério da Defesa e da Academia Militar. De grandes dimensões, o local abriga não apenas instalações militares, mas também áreas residenciais destinadas às tropas, onde vivem milhares de famílias. Em uma das entradas, ainda vigiada, um pequeno veículo blindado e um caminhão apresentavam marcas de tiros, observaram jornalistas da AFP. Moradores fugiram da região nas primeiras horas da manhã com malas e bolsas. “Quase nos mataram”, disse uma mulher durante a fuga. Outras explosões foram ouvidas perto do complexo aeronáutico de La Carlota, um aeroporto militar e privado, no leste de Caracas. Um pequeno veículo blindado em chamas e um ônibus carbonizado puderam ser vistos, segundo jornalistas da AFP. Outras explosões foram registradas no oeste do país, em La Guaira (aeroporto internacional e porto de Caracas), em Maracay, capital do estado de Aragua (a 100 km ao sudoeste de Caracas), e em Higuerote (a 100 km a leste de Caracas), no estado de Miranda, na costa do Caribe. Qual é o número de vítimas? O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, acusou o Exército dos Estados Unidos de atacar “com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de ataque contra áreas residenciais habitadas por civis”. A vice-presidente venezuelana disse que houve mortes, entre elas de autoridades, militares e civis em todo o país. Não há, no entanto, números disponíveis de vítimas ainda. Padrino afirmou estar “reunindo informações sobre os feridos e os mortos”. O presidente Maduro foi preso e retirado do país? Sim, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país, afirmou Trump em sua rede social Truth Social. Não está claro como o presidente Maduro teria sido capturado. Helicópteros americanos foram vistos sobrevoando Caracas. Não se sabia com exatidão onde o presidente venezuelano estava hospedado, já que circulavam rumores de que ele vinha mudando de residência com frequência nos últimos meses. Na quinta-feira, a televisão transmitiu uma entrevista na qual ele aparecia dirigindo por Caracas. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu uma “prova de vida” de ambos por parte do governo americano, enquanto a Rússia pediu um “esclarecimento imediato” a respeito. Quais foram as reações internacionais? A Rússia, principal aliada da Venezuela, condenou “um ato de agressão armada”, rejeitou “os pretextos utilizados para justificar tais ações” e lamentou que “a hostilidade ideológica tenha prevalecido sobre o pragmatismo comum”. Outro aliado da Venezuela, o Irã, apontou uma “flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial do país”, condenando a “agressão ilegal dos Estados Unidos”, inimigo da República Islâmica. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, falou em uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. Na Europa, a chefe da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, pediu “moderação” e respeito aos “princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”. A Espanha se ofereceu como intermediária, afirmando estar “disposta a oferecer seus bons ofícios para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual”. A Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança no sábado.