Morre um dos intoxicados por metanol no interior da Bahia, e prefeitura lamenta: 'abalou nossa comunidade'

A prefeitura de Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, confirmou a morte de uma das sete pessoas intoxicadas por ingestão de bebida com metanol na cidade. A vítima foi identificada como Vinicius Oliveira Vieira, de 31 anos. Na última quarta-feira, véspera de ano novo, um laudo constatou a presença da substância em destilados comprados em um mesmo depósito local. Uma das vítimas permanece intubada em estado grave. Seca em São Paulo: volume do Cantareira está 30 pontos percentuais abaixo do nível de um ano atrás De Guarujá à Baixada Santista: São Paulo teve sete mortes por afogamento no litoral na virada de ano Segundo a Secretaria de Saúde da cidade, Vinicius é filho de uma servidora pública de Ribeira do Pombal, que possui 56.316 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em nota divulgada nas redes sociais, a pasta afirmou que o ocorrido é "uma tragédia que abalou toda a comunidade". "Nos solidarizamos com familiares e amigos neste momento de dor", disse a prefeitura, também em comunicado publicado nas redes sociais. Das sete vítimas, cinco mulheres e um homem se intoxicaram durante uma comemoração de noivado no último domingo. Vinicius não estava no evento, mas comprou uma bebida no mesmo depósito no dia anterior. Lais Santana Dias e Maria Clara Nascimento de Souza receberam alta após serem internadas. Já Maria Viviana Santos Almeida e Josefa Soares de Almeida permanecem no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal. Em estado mais grave, Edicleia Andrade de Matos, madrasta da noiva, está intubada no Hospital Couto Maia, na capital Salvador, onde também está internada Daniele Barbosa do Carmo Matos. As informações do portal de notícias g1. De acordo com um decretado publicado pela prefeitura, a venda, distribuição e consumo de bebidas destiladas como uísque, vodca, cachaça e similares estão proibidos na cidade entre os dias 31 de dezembro e 5 de janeiro (próxima segunda-feira). A medida foi definida como "excepcional e preventiva para proteger a saúde da população". "A prefeitura continua visitando todos os estabelecimentos do município em uma força-tarefa permanente de fiscalização, orientação e prevenção. Com apoio da Guarda Civil Municipal, os agentes estão notificando, esclarecendo comerciantes e reforçando as orientações sobre a proibição temporária", informou a gestão municipal em nota divulgada neste sábado. Entenda o caso Após as internações, amostras de sangue haviam sido coletadas e enviadas ao Laboratório do Departamento de Polícia Técnica (DPT), na capital baiana. Segundo a Secretaria de Saúde da Bahia, foram feitos exames laboratoriais para definir se de fato houve intoxicação por metanol. "As sete pessoas receberam todo o tratamento e atenção no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, além do antídoto, nos casos em que havia indicação. Simultaneamente, a Vigilância Sanitária Municipal, juntamente com a Polícia Civil procedeu à localização e interdição do estabelecimento que comercializou a bebida", informou a pasta. O órgão também pediu que a população do estado se certifique "da procedência, da não violação das embalagens e selos de segurança e da idoneidade dos estabelecimentos comercializadores" de bebidas alcoólicas. No início deste mês, o Ministério da Saúde decidiu encerrar a Sala de Situação criada em outubro para monitorar o surto de intoxicação por metanol. A escalada de casos começou no estado de São Paulo e logo se espalhou para outros locais do país. Até o encerramento, ao todo, 73 pessoas foram diagnosticadas com intoxicação por metanol e 22 morreram entre setembro e dezembro. Mais de 500 suspeitas foram descartadas. O que é metanol? O metanol é um produto químico usado em produtos industriais e domésticos, como diluentes, anticongelantes, vernizes e até fluidos de fotocopiadora. Assim como o álcool que consumimos na cerveja, no vinho e nos destilados, o metanol é um líquido incolor com cheiro semelhante ao do álcool encontrado normalmente nessas bebidas, mas muito mais barato de produzir. Isso faz com que ele seja utilizado em bebidas adulteradas. Segundo especialistas, não é possível que o consumidor perceba a adulteração na hora do consumo, dado que seu gosto e efeito é semelhante ao da bebida não adulterada. No entanto, os efeitos prejudiciais de uma bebida contaminada com metanol aparecem apenas horas depois. Alguns dos sintomas mais comuns são confusão mental, visão turva ou perda de visão, forte dor abdominal, náuseas e falta de ar. Mesmo a ingestão de pequenas quantidades pode ser extremamente prejudicial à saúde e alguns "shots" do composto podem ser fatais. O álcool é metabolizado no fígado. No caso no metanol, este metabolismo cria subprodutos tóxicos chamados formaldeído, formato e ácido fórmico. Eles atacam nervos e órgãos, sendo o cérebro e os olhos os mais vulneráveis, o que pode levar à cegueira, coma e morte. A toxicidade do metanol está relacionada à dose ingerida e ao organismo. Tal como acontece com o álcool tradicional, quanto menos você pesa, mais você pode ser afetado por uma determinada quantidade. Normalmente, os efeitos demoram entre 40 minutos e 72 horas para aparecer. Os primeiros sinais são semelhantes ao da intoxicação por álcool e incluem problemas de coordenação, equilíbrio e fala, bem como confusão e vômitos. Ao mesmo tempo, a pressão arterial cai, resultando em uma sensação de tontura e desmaio. Em fases posteriores – cerca de 18 a 48 horas após a ingestão – o ácido fórmico, que interrompe a produção de energia nas células, faz com que o pH do sangue caia, danificando tecidos e órgãos do corpo. Isso pode causar insuficiência renal, convulsões e até sangramento gastrointestinal. Devido ao seu rápido efeito no organismo, o início do tratamento deve ser feito assim que houve suspeita da intoxicação por metanol. Em ambiente hospitalar, existem medicamentos que podem ser administrados para tentar limpar o sangue, assim como a aplicação de diálise. O antídoto para metanol é o álcool (etanol). Isso porque a metabolização do etanol pelo fígado pode ajudar a atrasar o metabolismo do metanol e reduzir seu efeito tóxico no corpo. Mas isso tem de ser feito rapidamente.