O ataque militar dos EUA a Caracas e outras cidades venezuelanas contém uma mensagem clara ao mundo: “Podemos fazer qualquer coisa, a qualquer momento e em qualquer lugar. Nos respeitem”. Essa é a avaliação de um veterano e experiente diplomata americano, que comparou o ataque ao efetuado pelas Forças Armadas americanas ao Irã, em 2025. Ainda é cedo para saber — e mais com Trump, um presidente imprevisível —, mas o diplomata acredita que os EUA podem “parar por aí”. Isso implicaria que o ataque teria como consequência uma mudança de liderança na Venezuela, mas não uma mudança de regime. “Trump não podia retirar todas as tropas que enviou ao Caribe sem fazer nada. E fez uma operação militar bem sucedida. Até agora, isso é o que temos, e pode ser só isso mesmo”. A situação na Venezuela, acrescentou a fonte diplomática americana, era uma questão pendente para o presidente republicano. Em seu primeiro mandato, Trump apostou na pressão do chamado Grupo de Lima, integrado por vários governos da região, entre eles o Brasil durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, e no governo paralelo do opositor Juan Guaidó. “Nada deu certo, nem mesmo a estratégia de máxima pressão de 2025. Trump fez a última cosida que podia fazer”, apontou o diplomata. Na avaliação da fonte em Washington, as declarações do secretário de Estado Marco Rubio indicariam que não há mais ações militares previstas por enquanto. Paralelamente, o silêncio de lideranças opositoras venezuelanos como María Corina Machado confirmam, concluiu o diplomata, “que elas não sabia de nada e não participaram disso”.