É apenas o terceiro dia do ano novo. E aqui, diante da tela em branco e do cursor piscando, sinto que estou prestes a redigir um parágrafo que parece não corresponder ao mundo real, mas a uma situação onírica. Dou mais um gole no café bem forte para me assegurar do meu próprio estado de vigília e, enfim, prossigo. Sim, é real. Numa operação cinematográfica, os Estados Unidos atacaram militarmente a Venezuela e capturaram o narcoditador Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, ambos levados para fora do país. É o fim de um dos regimes socialistas mais longevos e sanguinários do continente, que teve início em 1999, com Hugo Chávez, e se encerra agora, com a queda espetacular de Maduro. É o fim de um dos regimes-símbolo do Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e Fidel Castro nos anos 1990 para, na descrição de seus representantes, “recuperar na América Latina o que se havia perdido no Leste Europeu”. É o fim do modelo exemplar do “socialismo do século 21”, que, assim como seus consortes do século anterior, só provocou morte e destruição. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste No Brasil, o descondenado-em-chefe, amigo e parceiro histórico de Chávez e Maduro — a quem, há pouco tempo, deu conselhos de como aprimorar a “narrativa” para se manter no poder —, tenta se equilibrar entre o medo pânico que sente de Donald Trump e a sua própria “narrativa” para a base comunopetista, que, nas redes sociais, berra os clichês “soberanistas” usuais, repetidos sempre que uma ditadura socialista assassina é condenada internacionalmente. Esquerdistas lamentam a queda de um comunista Nas redes sociais, os comunistas brasileiros choram em face da queda da narcoditadura companheira. Chora Breno Altman . Chora Paulo Pimenta . Chora Elias Jabbour . Chora Jandira Feghali . Chora Glauber Braga . Chora Lindbergh Farias . Chora Erika Kokay . Chora Rogério Correia . Chora Vladimir Safatle . Chora Zé Dirceu . Chora Zeca Dirceu . Chora Fabiano Contarato . Chora Fernanda Melchionna . Chora o Partido dos Trabalhadores . Chora, enfim, o chefe de Estado brasileiro . https://twitter.com/LulaOficial/status/2007436536590012845 São lágrimas de suma importância. O mundo livre precisa dessas lágrimas. Precisa-as abundantes. Lágrimas pela manhã, à tarde e à noite. Lágrimas de comunistas homens e comunistas mulheres. De comunistas gordos e comunistas magros. De comunistas brancos, negros, pardos, amarelos e albinos. De comunistas heterossexuais e homossexuais. De comunistas cis e transgênero. De comunistas do Oiapoque ao Chuí, do Leme ao Pontal. Que venham mais e mais lágrimas. São elas, as lágrimas comunistas, que movimentam as turbinas da usina de liberdade na América Latina. Quando um comunista chora, o mundo sorri. "Que o som dos venezuelanos celebrando nas ruas a queda do tirano seja, em breve, também o nosso som" Esta coluna entra agora de férias, retornando em fevereiro. Encerro-a, portanto, com essa perspectiva de esperança, desejando aos leitores um ano repleto de realizações e sentido. E, ao Brasil, que possa surfar essa onda de liberdade. Que o som dos venezuelanos celebrando nas ruas a queda do tirano seja, em breve, também o nosso som. Leia também: "Aconteceu em Caracas" , artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 296 da Revista Oeste O post Flávio Gordon: ‘Quando um comunista chora, o mundo sorri’ apareceu primeiro em Revista Oeste .