A ação dos EUA para capturar Nicolas Maduro abre um grave precedente na geopolítica internacional. Depois de Donald Trump remover um governante a força de uma nação, a Rússia de Vladimir Putin pode se sentir mais empoderada para agir diretamente contra Volodymyr Zelensky. Afinal, na visão de Moscou, se os americanos podem remover o líder venezuelano, por que os russos não poderiam remover o ucraniano? A China teria ainda mais argumentos, uma vez que até Washington reconhece Taiwan como território chinês. Acompanhe ao vivo: Trump confirma ataque à Venezuela e diz que Maduro foi capturado e retirado do país Operação na Venezuela: veja o que se sabe sobre a ofensiva dos EUA e a captura Nicolás Maduro Antes de prosseguir, queria deixar claro três pontos. Primeiro, não sabemos como será o cenário na Venezuela nos próximos dias. Em segundo lugar, a Venezuela era uma ditadora. Mas ser um regime ditatorial não autoriza os EUA a o derrubarem. Até porque Trump tem entre seus maiores aliados nações ditatoriais como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e autocráticas como a Turquia. Voltemos ao caso venezuelano. Há quase um consenso de ter sido uma ação ilegal para as leis internacionais. A Venezuela não atacou os EUA e sequer ameaçava os americanos. Uma reportagem do jornal New York Times indica inclusive que Maduro havia concordado com uma série de concessões aos EUA que na prática seriam uma capitulação. Ainda assim, Trump optou por capturá-lo. Talvez tenha sido coordenado com outros membros do regime em uma espécie de golpe com apoio dos EUA. Deixarei, no entanto, as questões internas da Venezuela para a colunista Janaína Figueiredo, que conhece como poucos o país. Aqui nos EUA, Trump neste primeiro momento tentará vender como vitória a remoção de Maduro. Pode até ser, mas ainda é cedo para dizer. George W. Bush derrubou com relativa facilidade Saddam Hussein no Iraque e o Taleban no Afeganistão. Barack Obama tampouco teve dificuldades para remover Muamar Kadafi na Líbia. Anos depois sabemos dos fiascos dessas intervenções. Apenas o tempo dirá se na Venezuela será diferente. Initial plugin text A única certeza é de que a Rússia e a China muito provavelmente interpretarão a ação de Trump quase como um sinal verde para ações na Ucrânia e em Taiwan, embora provavelmente Pequim não queira mais instabilidade. Vamos aguardar. Mas o suposto isolacionista Trump demonstra ser um dos mais intervencionistas presidentes da história e se parece cada vez mais com Bush, que ele tanto criticava. Com um ano de mandato, bombardeou o Irã, Síria, Nigéria, Somália, Iêmen e agora remove o doador Maduro do poder na Venezuela.