Apoio, crítica ou cautela: como países da América Latina reagiram ao ataque dos EUA na Venezuela?

Trump divulga imagem de Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima Líderes da América Latina dividiram-se entre apoio explícito, cautela diplomática e crítica severa à ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada deste sábado (3). O ataque resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo anunciou o presidente americano Donald Trump. AO VIVO: acompanhe as notícias mais recentes sobre o ataque A operação fez com que governos latino-americanos: repudiassem a intervenção americana, defendendo a supremacia da Venezuela (caso de Colômbia, Brasil, Uruguai e Cuba); focassem no desgaste do chavismo após anos de colapso econômico, violações de direitos humanos e uma crise migratória sem precedentes (Argentina, Equador, Panamá, Paraguai e o novo governo do Chile); ou usassem os dois argumentos acima para sustentar uma postura "em cima do muro" (Peru e Boric, presidente em fim de mandato no Chile). Para o cientista político Steven Levitsky, da Universidade Harvard, as reações seguem linhas ideológicas previsíveis. “Governos de direita tendem a aplaudir; governos de esquerda tendem a condenar. O surpreendente seria o contrário”, afirmou. Países que apoiaram a ação ou comemoraram a captura ➡️Governos alinhados à direita ou críticos históricos do chavismo manifestaram apoio aberto à ofensiva ou celebraram a prisão de Maduro. Argentina O presidente da Argentina, Javier Milei, aliado próximo de Trump, publicou mensagens e vídeos nas redes sociais elogiando a operação e novamente classificando o regime venezuelano como uma ditadura. Em comunicado oficial, o governo de Milei celebrou a captura de Nicolás Maduro, definido pelo documento como "o maior inimigo da liberdade no continente", e expressou seu apoio para que Edmundo González Urrutia e María Corina Machado liderem a restauração da democracia na Venezuela, após "anos de opressão socialista". Equador No Equador, o presidente Daniel Noboa afirmou que “todos os narcochavistas criminosos terão sua hora” e declarou apoio à oposição venezuelana. Segundo ele, o povo do país “tem um aliado no Equador” para recuperar a democracia. Paraguai O Paraguai adotou um discurso ainda mais duro. Em comunicado oficial, o governo classificou Nicolás Maduro como líder de uma organização criminosa formalmente declarada terrorista pelas autoridades paraguaias. O documento afirma também que a permanência de Maduro no poder representava uma ameaça à estabilidade regional — a saída do líder abriria um caminho imediato para a restauração do Estado de Direito e para uma transição democrática baseada na vontade popular expressa nas urnas. Panamá O Panamá também se posicionou a favor de uma mudança política em Caracas. Em publicação nas redes sociais, o presidente José Raúl Mulino afirmou que seu governo defende a democracia e o respeito aos “legítimos desejos do povo venezuelano”, expressos, segundo ele, nas urnas que elegeram Edmundo González. Mulino disse ainda que o Panamá apoiará a paz e um processo de transição “ordenado e legítimo”. Chile (presidente eleito) No Chile, o presidente eleito José Antonio Kast comemorou a prisão de Maduro e afirmou que a captura é uma boa notícia para a América Latina. Segundo ele, os governos da região devem atuar para desmontar todo o aparato do regime venezuelano e responsabilizar seus integrantes. Kast toma posse em 11 de março. Países que adotaram cautela diplomática ➡️Alguns governos evitaram endossar diretamente a ação militar dos Estados Unidos, mas responsabilizaram o governo Maduro pela crise venezuelana e defenderam uma transição política. Peru O Peru reafirmou o compromisso com o Direito Internacional e com a solução pacífica de controvérsias, mas acusou o governo de Nicolás Maduro de: violações sistemáticas de direitos humanos, detenções arbitrárias e destruição do Estado de Direito. Lima também alertou para o avanço do crime organizado transnacional a partir da Venezuela e afirmou estar monitorando a situação da comunidade peruana no país. Chile (presidente em fim de mandato) O Chile, por meio do presidente em fim de mandato Gabriel Boric, condenou o ataque, mas reforçou que a saída para a crise venezuelana deve ser democrática e institucional. Não houve menção direta a sanções ou represálias. Países que condenaram os ataques dos EUA ➡️Governos de esquerda reagiram com forte condenação à ofensiva norte-americana e apontaram violação da soberania venezuelana e do Direito Internacional. Colômbia Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro afirmou que a ação representa uma agressão à Venezuela e à América Latina e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, do qual o país é membro. Petro alertou para os riscos de escalada militar e para a ameaça à estabilidade regional. Brasil O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em nota que os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu chefe de Estado “ultrapassam um limite inaceitável” e ferem princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas. Ainda na publicação, Lula afirmou que a ação militar desta madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de "violência, caos e instabilidade". Uruguai O Uruguai afirmou acompanhar os acontecimentos com “atenção e séria preocupação” e rejeitou qualquer forma de intervenção militar entre Estados. O governo uruguaio condenou os ataques aéreos contra instalações militares e infraestrutura civil venezuelana, reafirmou o compromisso com o Direito Internacional e destacou a posição histórica da América Latina e do Caribe como uma zona de paz. Montevidéu informou ainda manter contato permanente com seu consulado em Caracas para acompanhar a situação de seus cidadãos. Cuba Fora da América do Sul, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ofensiva dos EUA como um “ataque criminoso” e acusou Washington de praticar “terrorismo de Estado” contra o povo venezuelano e a América Latina. Ele pediu uma reação urgente da comunidade internacional e afirmou que uma região definida como zona de paz está sendo “brutalmente atacada”. Até a última atualização desta reportagem, não havia balanço oficial de mortos ou feridos. Tira-dúvidas do ataque americano à Venezuela Abaixo, tire suas dúvidas: Nicolás Maduro foi realmente capturado? Onde Nicolás Maduro está agora? Em que local Maduro será julgado? Quem governa a Venezuela neste momento? Como foi o ataque militar? Houve vítimas na operação? Qual tropa capturou Nicolás Maduro? Como Donald Trump classificou a operação? Quais acusações pesam contra Maduro? Especialistas concordam com a versão dos EUA sobre o cartel? Essa foi a primeira ação militar dos EUA na Venezuela? Nicolás Maduro foi realmente capturado? Sim, de acordo com o governo americano. Trump anunciou que Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças americanas após a operação militar e colocados sob custódia dos EUA, com destino ao sistema judicial americano. Voltar ao menu de navegação Onde Nicolás Maduro está agora? Maduro está sob custódia dos Estados Unidos, em local mantido em sigilo por razões de segurança, segundo o próprio governo americano. Ele e a esposa serão levados em um navio de guerra até Nova York, onde ocorrerá o julgamento, de acordo com Trump. A vice-presidente da Venezuela afirma desconhecer o paradeiro do líder e exige uma prova de vida dele e da primeira-dama. Voltar ao menu de navegação Em que local Maduro será julgado? Maduro e esposa serão julgados em tribunal de NY; paradeiro de presidente é desconhecido O julgamento ocorrerá em Nova York, no Tribunal Federal do Distrito Sul, onde Maduro e Cilia Flores foram formalmente denunciados pela Procuradoria-Geral dos Estados Unidos. Voltar ao menu de navegação Quem governa a Venezuela neste momento? Pela legislação venezuelana, o poder deveria passar à vice-presidente, Delcy Rodríguez, em caso de ausência do presidente. Ainda não há confirmação oficial de que ela tenha assumido. Voltar ao menu de navegação Como foi o ataque militar? Pedestres correm após explosões e aviões voando baixo serem ouvidos em Caracas, Venezuela, sábado, 3 de janeiro de 2026 AP Photo/Matias Delacroix A ofensiva durou menos de 30 minutos, segundo informações da Associated Press. Moradores relataram ao menos sete explosões, voo baixo de aeronaves militares, tremores e quedas de energia em áreas próximas a instalações estratégicas. Pessoas correram para as ruas e relataram o ocorrido nas redes sociais. Não há, até agora, um balanço oficial de mortos ou feridos. Voltar ao menu de navegação Houve vítimas na operação? Autoridades venezuelanas afirmam que houve mortes no país, mas ainda sem números consolidados. Um oficial dos EUA disse que não ocorreram baixas americanas durante a operação. Voltar ao menu de navegação Qual tropa capturou Nicolás Maduro? A captura foi realizada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos especializada em missões secretas e na prisão de alvos considerados estratégicos. Voltar ao menu de navegação Como Donald Trump classificou a operação? Trump descreveu a ação como uma “operação brilhante”, resultado de intenso planejamento e da atuação de “grandes tropas”. Disse ainda que se tratou de um ataque de grande escala, conduzido em coordenação com forças militares e de segurança dos EUA. Voltar ao menu de navegação Quais acusações pesam contra Maduro? Maduro e Cilia Flores respondem em Nova York por: conspiração para narcoterrorismo; importação de cocaína e posse de armas de guerra. O governo americano afirma que ele lidera o chamado Cartel de los Soles. Voltar ao menu de navegação Especialistas concordam com a versão dos EUA sobre o cartel? Não plenamente. Analistas afirmam que o Cartel de los Soles não opera como uma organização centralizada, mas como uma rede difusa de militares envolvidos no tráfico, sem provas de que Maduro comande diretamente o esquema. Mas há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele mesmo ajudou a instalar no país. Para Jeremy McDermott, cofundador e codiretor do InSight Crime (fundação que estuda o crime organizado nas Américas), Maduro e os chavistas não controlam o tráfico, mas distribuem concessões a militares e aliados, em troca de sua manutenção no poder. Voltar ao menu de navegação Essa foi a primeira ação militar dos EUA na Venezuela? Não. Antes da captura, os EUA já haviam realizado ataques com drones, ações contra embarcações suspeitas de narcotráfico e operações contra navios petroleiros venezuelanos, ampliando a pressão econômica e militar sobre o país. Voltar ao menu de navegação