Treino em réplica de bunker, informante próximo, planejamento de meses: como foi a captura de Maduro na Venezuela

Foram necessários 47 segundos para capturar maduro, diz Trump Na madrugada de sábado, o presidente Donald Trump anunciou em sua plataforma Truth Social que os Estados Unidos haviam realizado uma missão para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa. A ação surpreendeu muitos, mas, segundo fontes familiarizadas com o assunto, o planejamento da operação vinha sendo feito há meses e incluiu ensaios detalhados. Tropas de elite dos EUA, incluindo a Delta Force, criaram uma réplica do esconderijo de Maduro e treinaram a entrada na residência fortificada. A CIA mantinha uma equipe em solo desde agosto, fornecendo informações sobre a rotina de Maduro, o que facilitou a captura, segundo uma fonte. AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias em tempo real ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Outras duas fontes disseram à Reuters que a agência também contava com um informante próximo a Maduro, pronto para indicar sua localização exata durante a operação. Com tudo pronto, Trump aprovou a missão quatro dias antes, mas militares e agentes de inteligência sugeriram aguardar melhores condições climáticas. Nas primeiras horas de sábado, começou a Operação Absolute Resolve para capturar Maduro. Trump acompanhou a ação ao vivo, cercado por assessores em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. A condução da operação, que durou horas, foi detalhada por quatro fontes e pelo próprio Trump. “Já fiz algumas bem boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, disse Trump à Fox News após a missão. Operação "massiva" O Pentágono supervisionou o envio de um porta-aviões, 11 navios de guerra e mais de uma dúzia de caças F-35 ao Caribe. Mais de 15 mil tropas foram deslocadas para a região, oficialmente em operações antidrogas. Segundo uma fonte, o assessor Stephen Miller, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o diretor da CIA John Ratcliffe formaram o núcleo do planejamento, com reuniões frequentes com Trump nos últimos meses. Na noite de sexta-feira e madrugada de sábado, Trump e assessores acompanharam ataques aéreos dos EUA contra alvos em Caracas, incluindo sistemas de defesa aérea, segundo um oficial militar. O general Dan Caine afirmou que a operação envolveu mais de 150 aeronaves decolando de 20 bases no Hemisfério Ocidental, incluindo caças F-35, F-22 e bombardeiros B-1. “Tínhamos um caça para cada situação possível”, disse Trump ao programa “Fox & Friends”. Fontes disseram à Reuters que o Pentágono também enviou aviões-tanque, drones e aeronaves de guerra eletrônica para a região. Autoridades informaram que os ataques aéreos atingiram alvos militares. Imagens da Reuters mostraram veículos militares destruídos na base aérea de La Carlota, em Caracas. Com os ataques em andamento, forças especiais dos EUA avançaram para Caracas, armadas inclusive com maçarico para cortar portas de aço no esconderijo de Maduro. Por volta das 3h da manhã (horário do Brasil), as tropas chegaram ao complexo sob fogo. Um helicóptero foi atingido, mas continuou voando. Vídeos de moradores mostraram helicópteros voando baixo sobre Caracas. Ao chegar ao esconderijo, as tropas e agentes do FBI entraram na residência, descrita por Trump como uma “fortaleza muito bem protegida”. “Eles simplesmente arrombaram, entraram em lugares que realmente não eram feitos para serem arrombados, portas de aço colocadas ali exatamente para isso”, disse Trump. “Eles foram neutralizados em questão de segundos.” Maduro sob custódia Dentro do esconderijo, Maduro e sua esposa se renderam, segundo Caine. Trump afirmou que Maduro tentou chegar a uma sala segura, mas foi surpreendido. “Ele estava tentando entrar nela, mas foi surpreendido tão rápido que não conseguiu”, disse Trump. Algumas forças dos EUA foram atingidas, mas não houve mortes, segundo Trump. Durante a operação, Rubio informou parlamentares sobre o andamento da missão. As notificações começaram após o início da ação, e não antes, como costuma ocorrer, segundo autoridades. Ao deixar o território venezuelano, as tropas dos EUA enfrentaram “múltiplos confrontos de autodefesa”, segundo Caine. Às 3h20 da manhã, os helicópteros já estavam sobre o mar, com Maduro e sua esposa a bordo. Quase sete horas após o anúncio inicial, Trump publicou na Truth Social uma foto de Maduro capturado, vendado, algemado e de moletom cinza. “Nicolas Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, escreveu Trump, referindo-se ao navio de assalto anfíbio.