Com 15 mil militares e porta-aviões, EUA reforçaram poderio militar antes do ataque à Venezuela TV Globo Exatamente no dia em que Donald Trump tomou posse, em 20 de janeiro, uma das medidas daquela pilha de decretos presidenciais já preparava o cenário para a ofensiva. Trump classificou formalmente como terrorista a organização criminosa venezuelana Tren de Aragua. Em julho, fez o mesmo com o chamado “Cartel de los Soles” e acusou Nicolás Maduro de chefiar a organização. Especialistas afirmam que, na prática, “Cartel de los Soles” não é um grupo formal, e sim uma expressão histórica usada para se referir a militares e integrantes do governo corruptos, que facilitam e lucram com o narcotráfico. Maduro sempre negou envolvimento. A estratégia americana foi ficando mais clara no segundo semestre. Para dar base legal à escalada militar contra a Venezuela, o governo enviou ao Congresso uma notificação comunicando que o país estava em conflito armado contra cartéis terroristas. Nicolás Maduro era procurado nos Estados Unidos desde 2020, ainda durante o primeiro governo Trump, acusado formalmente de narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína. Em agosto, a procuradora-geral americana dobrou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro. E o mundo entrou em alerta quando o governo deslocou os primeiros três navios de guerra para o Caribe. O efetivo foi crescendo com o passar dos meses. Hoje, são cerca de 15 mil militares em mais de dez navios, entre eles o maior porta-aviões do mundo. Além de dezenas de caças, bombardeiros e helicópteros militares. No dia 2 de setembro, o governo Trump começou a bombardear embarcações no Caribe e no Pacífico, alegando que eram narcotraficantes transportando drogas para os Estados Unidos. Já foram 35 ataques, que mataram 115 pessoas. Em novembro, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, batizou a operação em andamento de “Lança do Sul”, e Trump subiu o tom mais uma vez. Disse que o espaço aéreo da Venezuela deveria ser considerado "totalmente fechado". Dias depois, veio a nova frente de pressão: contra o setor de petróleo. Trump determinou um bloqueio de petroleiros entrando e saindo da Venezuela que são alvos de sanções americanas. Ao menos dois navios foram apreendidos em dezembro. Com Maduro capturado e longe do comando da Venezuela, ainda é cedo para saber como fica o futuro do país. Mas a operação militar americana deixou claro que a América Latina se tornou uma prioridade do governo Trump, como antecipou a Estratégia de Segurança Nacional americana divulgada em novembro.