Gleisi rebate declaração de Tarcísio sobre captura de Maduro e acusa 'cinismo bolsonarista'

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu neste domingo às declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que comemorou a ação dos Estados Unidos na Venezuela e associou a permanência do regime chavista ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação nas redes sociais, Gleisi acusou o governador de cinismo e disse que o discurso reproduz a lógica do bolsonarismo ao relativizar a soberania nacional e celebrar uma intervenção estrangeira. Leia mais: El Salvador vira ponto de peregrinação da direita, que disputa imagem de 'Bukele brasileiro' Aprovação: Lula chega em 2026 com popularidade maior do que há 20 anos, mas desafios vão da segurança à economia “Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”, escreveu a ministra. Initial plugin text A manifestação ocorre um dia após Tarcísio divulgar um vídeo em que celebrou a captura do líder chavista Nicolás Maduro por forças americanas, classificando o episódio como um “marco simbólico”. — Uma ditadura não cai da noite para o dia. Ela corrói lentamente, apodrece por dentro, as instituições vão morrendo aos poucos e o preço é altíssimo. Custou a liberdade de inocentes, os direitos políticos de opositores, a prosperidade da Venezuela e do seu povo. E tudo isso só foi possível ao longo do tempo porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro — disse o governador de São Paulo no vídeo, mostrando uma imagem de Lula. Ao comentar os impactos do chavismo, Tarcísio destacou o êxodo de venezuelanos, mencionou famílias que cruzaram fronteiras e disse que o Brasil acolheu parte dessa população. No trecho final, ampliou o discurso para o cenário regional e eleitoral, ao afirmar que "a Venezuela agora está vencendo a esquerda, e no fim do ano o Brasil também vence". No sábado, a ministra já havia rebatido declarações do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que classificou como “brilhante” a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump. Gleisi afirmou que a euforia da oposição não tinha relação com a defesa da democracia, mas revelava o desejo "de uma intervenção estrangeira no Brasil”. Integrantes do governo Lula têm sustentado que os ataques violam o direito internacional e representam uma ameaça à estabilidade regional. Em tom mais duro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a ofensiva como a mais grave ação imperialista já vivenciada na América Latina e alertou para uma reedição da Doutrina Monroe. Lula, por sua vez, adotou postura mais sóbria, mas condenou a operação, afirmando que os bombardeios e a captura de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável” e configuram uma afronta grave à soberania venezuelana.