Eva Schloss, sobrevivente do Holocausto, meia-irmã póstuma de Anne Frank e trabalhadora incansável na transmissão de suas memórias aos jovens, morreu no sábado, em Londres, aos 96 anos, anunciou sua fundação, em um comunicado. A família expressou neste domingo a “grande tristeza” pela perda dessa “mulher extraordinária, sobrevivente do campo de Auschwitz, educadora devotada sobre o Holocausto, incansável em seu trabalho pela memória, pela compreensão e pela paz”. O rei Charles III, que dançou com ela durante um evento em Londres em 2022, e sua esposa Camila, madrinha de sua fundação Anne Frank UK, disseram estar “profundamente entristecidos”. “Tivemos o privilégio e o orgulho de tê-la conhecido e a admiramos profundamente”, indicou o casal real na rede X. Eva Schloss cofundou a Anne Frank UK em 1990 para transmitir a memória do Holocausto aos jovens e combater os preconceitos. Eva Geiringer, seu nome de solteira, nasceu na Áustria em 1929 e era criança quando os nazistas invadiram seu país. Sua família judia fugiu inicialmente para Bélgica e depois para Amsterdã, nos Países Baixos, onde se instalou em frente à casa de Anne Frank, que se tornaria mundialmente famosa após sua morte em razão de seu diário. As duas meninas tinham a mesma idade e costumavam brincar juntas. Mas a partir de 1942, as duas famílias tiveram de se esconder para evitar a deportação. Eva e sua mãe, Elfriede, seu pai, Erich, e seu irmão, Heinz, foram traídos dois anos depois por um simpatizante nazista. Foram detidos no dia em que ela completou 15 anos e enviados ao campo de extermínio de Auschwitz em maio de 1944. Eva, que conseguiu manter contato com a mãe, foi separada do pai e do irmão, ambos mortos no cativeiro. Anne Frank morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen. Pouco depois de sua libertação, em 1945, Eva se estabeleceu em Londres para estudar e conheceu seu marido, Zvi Schloss. Sua mãe, que retornou a Amsterdã, casou-se em 1953 com o pai de Anne Frank, Otto, que, ao regressar de Auschwitz, estava viúvo. O casal Schloss, que teve três filhas, obteve a nacionalidade britânica. Eva Schloss também recuperou a nacionalidade austríaca em 2021, quando tinha 92 anos. Schloss escreveu vários livros e contou sua experiência em todo o mundo. Desde 2013, era membro da Ordem do Império Britânico. “Com mais de 90 anos, falou com paixão incansável, muitas vezes dando várias palestras por dia, inclusive em prisões e escolas”, afirmou em comunicado Gillian Walnes, vice-presidente da Fundação Anne Frank no Reino Unido. “O legado de Eva continua vivo nas vidas que tocou e na história que, com tanta coragem, manteve viva”, acrescentou.