O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite deste domingo, 4, que uma operação militar contra a Colômbia “soa bem” para ele. A declaração foi feita a jornalistas a bordo do avião presidencial, o Air Force One, depois de indagações sobre a possibilidade de uma ação dos EUA no país sul-americano. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste Segundo a agência Reuters, Trump disse que a Colômbia estaria “muito doente” e “governada por um homem doente”, em referência ao presidente Gustavo Petro. O presidente norte-americano afirmou que o líder colombiano “gosta de fazer cocaína e vendê-la aos EUA” e acrescentou: “Ele não vai fazer isso por muito tempo”. Perguntado diretamente se os EUA buscariam uma operação militar contra a Colômbia, Trump respondeu: “Soa bem para mim”. As declarações ocorreram no dia seguinte à operação dos EUA que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Ele foi enviado para Nova York, onde deve responder a acusações relacionadas a tráfico de drogas. O socialista Gustavo Petro, presidente da Colômbia | Foto: Reprodução/Twitter/X O jornal britânico The Guardian contextualizou que as declarações de Trump ocorrem em meio a tensões diplomáticas entre EUA e Colômbia, que se arrastam há meses. Segundo o veículo, o cenário inclui o reforço da presença militar norte-americana no Caribe e críticas públicas frequentes feitas por Petro à política externa dos EUA. De acordo com o Guardian , no mês passado, Petro chegou a convidar Trump para visitar a Colômbia e conhecer as ações do governo contra a produção de drogas. No fim de semana, ele classificou a operação dos EUA na Venezuela como um “ ataque à soberania ” da América Latina e afirmou que a medida poderia provocar uma crise humanitária, avaliação que teria irritado Trump. Petro reage a acusações de Trump Em resposta às declarações do presidente norte-americano, Petro divulgou manifestações públicas no domingo nas quais rejeitou as acusações. Em um dos trechos, afirmou: “Não sei se Maduro é bom ou mau, nem sequer se é narcotraficante; nos arquivos da justiça colombiana, depois de meio século lidando com as maiores máfias da cocaína, não aparecem os nomes de Maduro nem de Cilia Flores”, mulher do ditador. Petro declarou ainda que o poder judicial colombiano é independente e que não está sob seu controle. Segundo ele, “meu nome em 50 anos não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico nem no passado nem no presente”. Em seguida, afirmou: “Por isso rejeito profundamente que Trump fale sem conhecer. Deixe de me caluniar, senhor Trump.” https://twitter.com/petrogustavo/status/2007979103090290767 O presidente colombiano também mencionou sua trajetória política e sua participação em movimentos armados no passado. Ele confessou ter feito parte da guerrilha M-19 , grupo que, segundo ele, realizou “a primeira paz na América Latina contemporânea”. Petro ainda afirmou que a Colômbia sofreu com a violência do narcotráfico e de seus aliados políticos e que nunca pediu intervenções estrangeiras. “A nós assassinaram dezenas de milhares de companheiros e companheiras da luta armada e popular pela democracia, e não fomos pedir invasões, aguentamos e ganhamos na paz”, encerrou. Leia também: “A América sempre reage” , artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 242 da Revista Oeste O post Depois da Venezuela, Trump diz que operação na Colômbia seria ‘boa ideia’ apareceu primeiro em Revista Oeste .