A movimentação de carros com tração nas quatro rodas em San Francisco de Yuruaní, comunidade indígena localizada no município de Gran Sabana, no estado de Bolívar, a cerca de 80 quilômetros da fronteira com o Brasil, era intensa às 16h de domingo. Os turistas, em sua maioria brasileiros, voltavam de picos rochosos e cachoeiras da região e se aglomeravam na vila para comer churrasco na brasa, se hidratar e comprar chaveiros e ímãs de geladeira como lembrança. Dona de uma loja de suvenires, Cona Sossi, de 50 anos, diz que a movimentação de turistas estava `dentro do normal', diante do calor na casa dos 30 graus e céu com poucas nuvens. No sul da Venezuela, população segue rotina apesar de apreensão sobre o futuro do país No sul da Venezuela, ainda não havia qualquer impacto dos ataques dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro. — Como muitos turistas compram pacotes com antecedência, eles não deixaram de vir. Está tudo normal. Nossa preocupação é que o turismo caia daqui para frente e que as agências deixem de fechar novos pacotes por causa do medo de uma guerra no país — afirma Sossi. As lembranças de viagem na loja de Cona variam de R$ 25 a R$ 120. Uma água mineral e um cafezinho na loja ao lado saem por R$ 7. Os pagamentos podem ser feitos em reais ou dólares. Uma via de cerca de 1 quilômetro corta a vila, que tinha mais de 30 bares e lojas abertas, em estilo rústico, todas com clientes circulando com sacolas. Churrasco em Gran Sabana, na Venezuela Patrik Camporez / O Globo Com rios cristalinos e vastas áreas de selva, a região atrai turistas de toda a América Latina. As estradas que cortam a área passam próximas a vales e rios de águas cristalinas, onde os visitantes costumam parar para se banhar. Em um posto de combustível à beira da rodovia, havia cerca de 80 carros de turistas aguardando para abastecer. O litro do combustível custa R$ 6 ou US$ 1 para turistas. Poucos quiseram falar sobre a crise venezuelana e se limitavam a dizer que queriam aproveitar o passeio sem se preocupar com o que estava acontecendo nas redondezas de Caracas. O clima nas áreas turísticas contrasta com a preocupação dos moradores, que, além do medo de perder a renda do turismo, temem que o país entre em uma espécie de convulsão social, sem condições de governança. Ao longo deste domingo, o GLOBO percorreu cerca de 200 quilômetros por cidades, vilas e comunidades indígenas na região sul da Venezuela.