Itália agora planeja apoiar o Mercosul, abrindo caminho para assinatura do acordo com a União Europeia

A Itália planeja apoiar o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul em uma votação que provavelmente será o último grande obstáculo para que o bloco europeu feche o tratado, que vem sendo negociado há 25 anos. Finanças: Ações de petrolíferas americanas disparam até 10% após ataque dos EUA à Venezuela Acordo em dúvida: por que, depois da França, a Itália virou a nova pedra no sapato de Lula para concretizar acordo UE-Mercosul Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a Itália deve mudar de posição e apoiar o acordo quando os embaixadores da UE votarem a medida em 9 de janeiro. Isso permitiria que a UE assinasse o tratado com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — em 12 de janeiro. Um porta-voz do governo italiano se recusou a comentar. Nada foi finalizado e os planos ainda podem mudar. 'Caminho certo' A UE não conseguiu concluir o acordo no mês passado depois que Itália e França lideraram uma campanha para adiá-lo, argumentando que ele ainda carecia de proteções adequadas para os agricultores europeus. UE-Mercosul: Entenda por que Lula tem pressa para assinar acordo, mesmo com barreiras ao agro brasileiro Segundo pessoas que acompanham as negociações, a primeira-ministra Giorgia Meloni vinha buscando salvaguardas adicionais para o setor agrícola, além de mais recursos para os agricultores a partir do orçamento do bloco. — Houve discussões, trabalho e avanços nas últimas duas semanas — disse a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, a jornalistas em Bruxelas nesta segunda-feira. — Estamos no caminho certo para considerar a assinatura em breve, esperamos. Barreiras No mês passado, o presidente francês Emmanuel Macron, pressionado internamente por agricultores, afirmou que o tratado não oferecia garantias suficientes. No fim de semana, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que a França pretende proibir importações de alimentos da América do Sul ou de outros lugares que contenham pesticidas proibidos na UE. A suspensão da compra de frutas da região, a exemplo de manga e goiaba, foi anunciada no domingo. O acordo proposto é o maior já negociado pela União Europeia. Há mais de duas décadas, as conversas avançam e recuam enquanto autoridades tentam conciliar preocupações com proteção ambiental e padrões agroalimentares no Mercosul. Expansão econômica O pacto UE-Mercosul criaria um mercado integrado de 780 milhões de consumidores, eliminando gradualmente tarifas sobre produtos como automóveis e dando à Europa acesso mais fácil à vasta indústria agrícola do Mercosul. O acordo também permitiria que ambas as regiões reduzissem sua dependência dos EUA após o presidente Donald Trump impor tarifas globais. A Bloomberg Economics estima que o tratado aumentaria a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%. Do ponto de vista geopolítico, ele também fortaleceria a presença da UE em uma região onde a China vem se tornando um grande fornecedora industrial e compradora de commodities.