O governo brasileiro reforçou a presença militar na fronteira com a Venezuela nesta segunda-feira, dois dias depois de o país vizinho ser atacado pelos Estados Unidos, que levaram o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York. Carros blindados do Exército, além de agentes da Receita Federal e homens da Força Nacional fazem a segurança da única rota de entrada por terra para quem tenta chegar ao Brasil. Integrantes das forças de segurança relataram ter observado aumento do fluxo migratório nas primeiras horas do dia, embora ainda não saibam se a intensificação está diretamente ligada à crise política agravada pela prisão de Nicolás Maduro. O objetivo da operação é coibir a entrada ilegal de produtos e mercadorias, impedir a circulação de foragidos venezuelanos e ampliar o controle na faixa de fronteira. Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do mesmo dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país. Do lado brasileiro, militares montaram uma blitz, como revista minuciosa de todos os carros que entram e identificação de seus ocupantes. Como mostrou o GLOBO, uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil. A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico. Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.