A gestação é um período da vida da mulher em que, fisiologicamente, a prioridade deixa de ser ela e passa a ser o feto. Por isso, muitos cuidados são necessários, principalmente no verão, com o aumento das temperaturas. “A exposição prolongada a altas temperaturas pode aumentar o risco de hipertermia materna, desidratação, queda da pressão arterial, edema em membro inferior, infecção urinária e contrações uterinas. Isso pode aumentar o risco de parto prematuros e baixo peso ao nascer”, esclarece Nélio Veiga Junior, ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). De acordo com o médico, nessa época do ano, a gestante deve se atentar principalmente à exposição solar, que deve ser evitada no período de maior intensidade (das 10h às 16h). “A fotoproteção deve ser feita com filtros solares com FPS iguais ou maiores que 30, amplo espectro, para peles sensíveis, com bases minerais (óxido de zinco, dióxido de titânio), diz o médico. “Além disso, a recomendação é usar vestimentas leves e manter hidratação rigorosa. Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), a recomendação média é de 2 a 3 litros/dia. Os sinais de alerta incluem boca seca, tontura, cefaleia, urina escura/concentrada, tontura, fadiga, taquicardia e hipotensão. A desidratação pode predispor a contrações prematuras, infecções urinárias e cefaleia”, comenta o médico. Um cuidado especial é com relação aos exercícios físicos, que são indicados, mas com cautela. “Modalidades de baixo impacto (caminhada, hidroginástica, natação, yoga, pilates) são seguras e recomendados. Sugerimos evitar exercícios de alta intensidade, em ambientes muito quentes e com risco de queda ou trauma abdominal”, destaca. Outras questões importantes no verão são o edema e problemas circulatórios. Apesar da genética ser preponderante, as varizes costumam surgir em gestantes por dois motivos: "Um dos fatores que fazem com que as futuras mamães apresentem o problema nas pernas é hormonal: a progesterona aumenta a dilatação de todas as veias do organismo. Além disso, o crescimento do feto eleva a pressão nas veias das pernas”, explica Nélio. E, para completar, as estações mais quentes do ano provocam alteração na circulação, já que os vasos sanguíneos passam por uma vasodilatação para favorecer a transpiração e equilibrar a temperatura do organismo estável. “Como o edema piora no verão, medidas conservadoras recomendadas são: hidratação, elevação de membros inferiores, exercícios leves, evitar ficar em pé/sentada por longos períodos, uso de meias elásticas graduadas e drenagem”, indica a médica. As visitas às praias ou piscinas são comuns nessa época do ano e o médico recomenda atenção à higiene da água. “De qualquer maneira, a hidratação deve ser constante, além do uso de protetor solar, e evitando longas exposições ao sol. Nesses casos, uma atenção a pisos escorregadios pode reduzir risco de quedas”, diz Nélio. Quanto à ingestão de alimentos fora de casa, principalmente em praias, clubes e hotéis, o obstetra recomenda evitar carnes, ovos e pescados crus ou malpassados, queijos não pasteurizados, embutidos, frutos do mar de origem duvidosa, legumes crus e saladas de lugares desconhecidos ou mal lavados e alimentos armazenados sem refrigeração adequada. “Para diminuir o risco de intoxicações alimentares, optar por pratos cozidos/grelhados/assado, frutas/vegetais/saladas bem lavadas, evitar frituras e pratos condimentados e manter intervalos regulares entre refeições (2/3h)”, comenta. Por fim, em casos de mal-estar súbito (enjoo, tontura, queda de pressão) provocados pelo calor, o ginecologista recomenda sentar ou deitar-se em local ventilado, elevar pernas e hidratar-se com líquidos claros. “Caso haja persistência dos sintomas ou forem seguidos de sangramento, dor abdominal ou desmaio, é indicado procurar atendimento médico”, finaliza o obstetra.