Nicki Minaj passou a ser alvo de pedidos de deportação nos Estados Unidos após se aproximar publicamente de pautas do conservadorismo americano e elogiar o presidente Donald Trump. Petições criadas na plataforma Change.org somam mais de 120 mil assinaturas solicitando que a rapper seja enviada de volta a Trinidad e Tobago, país onde nasceu. A mais popular delas foi lançada em julho de 2025, reúne cerca de 83 mil apoios e ganhou força nas últimas semanas depois das aparições públicas da artista ao lado de figuras ligadas à direita americana. Entenda: Nicki Minaj enfrenta onda de cancelamento após elogiar Donald Trump Saiba mais: Nicki Minaj desiste de lançar novo álbum após acusações contra Jay-Z e causa alvoroço nas redes Uma segunda petição, criada em 27 de dezembro de 2025 e assinada por mais de 48 mil pessoas, afirma que a postura recente da cantora teria causado frustração entre fãs e antigos admiradores. “As ações e palavras de Nicki Minaj tomaram um rumo que deixou muitos de seus apoiadores se sentindo profundamente traídos”, escreveu o autor do texto, Tristan Hamilton. “Deportá-la de volta a Trinidad serviria como um lembrete de que figuras públicas precisam ser responsabilizadas pelo impacto mais amplo de seus discursos.” Imagem da página pedindo deportação da rapper Repropdução O movimento ganhou força após a participação de Nicki no AmericaFest, principal convenção anual do Turning Point USA, realizada em dezembro. No evento, a rapper subiu ao palco de mãos dadas com Erika Kirk, viúva do ativista conservador Charlie Kirk, assassinado no início do ano, e agradeceu o convite enquanto sua música “Super Bass” tocava ao fundo. “Estou honrada de estar aqui, obrigada por me receberem”, disse a cantora. Em declarações feitas durante o evento, Minaj também elogiou Donald Trump e o vice-presidente J.D. Vance, afirmando que “ama os dois”. Apesar do movimento nas redes, a legislação americana não prevê deportação por manifestação de opinião política. “Criticar políticas públicas ou expressar posicionamentos ideológicos é protegido pela Primeira Emenda, independentemente do status migratório”, afirma entendimento reiterado pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). A controvérsia marca uma mudança em relação ao histórico da artista. Em 2020, Nicki Minaj declarou que não pretendia apoiar Donald Trump e criticava as políticas anti-imigração do então presidente. Imigrante, ela nasceu como Onika Tanya Maraj, em Trinidad e Tobago, e se mudou ainda criança para o Bronx, em Nova York, onde viveu por anos em situação irregular. Em 2018, usou as redes sociais para condenar a política de separação de famílias na fronteira. “Vim para este país como imigrante ilegal. Não consigo imaginar o horror de estar em um lugar estranho e ter meus pais arrancados de mim aos 5 anos”, escreveu à época, em publicação posteriormente apagada. Nos últimos meses, porém, a cantora passou a adotar um discurso alinhado a pautas conservadoras. Durante o AmericaFest, declarou admirar Trump e Vance e afirmou que ambos conseguem dialogar com “pessoas comuns”. A presença ao lado de Erika Kirk reforçou a associação com o movimento conservador e intensificou a repercussão negativa. A reação entre fãs foi imediata. Usuários anunciaram boicotes, deixaram de segui-la nas redes sociais e passaram a questionar a coerência do posicionamento adotado com a trajetória construída ao longo da carreira. Minaj, que durante anos esteve associada a pautas ligadas à diversidade, à comunidade LGBTQIA+ e a debates raciais, passou a ser acusada de se alinhar a discursos considerados excludentes. O desgaste se intensificou após falas e publicações interpretadas como transfóbicas, reacendendo críticas antigas. O reposicionamento também gerou respostas no meio artístico. A cantora Kim Petras publicou mensagens em defesa de crianças trans após declarações de Minaj ganharem repercussão negativa, enquanto Tammy Rivera criticou a participação da rapper em eventos conservadores. O comediante D.L. Hughley também se manifestou, apontando contradições entre o discurso atual da artista e sua trajetória dentro da cultura hip hop.