O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira em uma sessão de emergência, a pedido da Venezuela, para discutir a captura do líder chavista Nicolás Maduro pelos EUA, em uma operação militar em solo venezuelano no sábado. O caso provocou uma série de questionamentos sobre a legalidade da ação americana à luz do direito internacional, e acendeu um sinal de alerta em países aliados de Washington, que se mantêm atentos sobre uma eventual validação à violação de soberania. É a primeira reunião do Conselho de Segurança em 2026, sob a Presidência da Somália. Veja vídeo: Maduro chega a corte de Nova York para acusação formal em caso jurídico considerado incerto por especialistas Escalada retórica: Petro diz estar disposto a 'pegar em armas' após ameaças de Trump contra a Colômbia Embora as reações à prisão de Maduro tenham sido variadas, boa parte da comunidade internacional manifestou preocupação com possíveis violações da Carta da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação com o "respeito ao direito internacional", ao passo que a União Europeia, maior aliada histórica dos EUA, pediu "calma e moderação" a todas as partes. Initial plugin text Embora não seja membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil pretende pedir para se pronunciar. Segundo interlocutores a par do assunto ouvidos pelo GLOBO, a ideia é reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou publicamente a ofensiva dos EUA. A participação brasileira, será feita por meio do embaixador brasileiro na ONU, Sergio Danese. O encontro das representações diplomáticas na sede do principal braço de segurança da ONU ocorre a poucos metros do tribunal federal de Nova York onde Maduro será apresentado a um juiz federal ainda nesta segunda. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, serão apresentados às denúncias e deverão se declarar culpados ou inocentes das acusações. Espera-se que o juiz do caso decrete que os dois aguardem o julgamento na prisão. Maduro chega de helicóptero para a primeira audiência em tribunal de Nova York Potências com fortes laços com a Venezuela, como China e Rússia, condenaram rapidamente o ataque dos EUA. Na América Latina, além do Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai rejeitaram "qualquer tentativa de controle" sobre o país sul-americano — algo afirmado pelo presidente americano, Donald Trump, em coletiva de imprensa no sábado. Maduro governou a Venezuela com mão de ferro por mais de uma década, por meio de uma série de eleições consideradas fraudulentas. Ele chegou ao poder em 2013, após a morte de seu mentor Hugo Chávez, e passou a liderava com um pequeno grupo de cinco pessoas o chavismo: a esposa, Cilia, a agora presidente interina Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello. — É como um clube de cinco — disse uma fonte diplomática em Caracas à AFP. — Eles podem falar, têm voz [no governo, mas] Maduro era quem garantia o equilíbrio. Agora que ele se foi, quem sabe. (Com AFP)