Prêmio anual da principal associação de críticos de cinemas dos Estados Unidos, o Critics Choice Awards aconteceu na noite deste domingo (4) e abriu a temporada de premiações televisionadas, que reúne ainda o Globo de Ouro, o Actor Awards (antigo SAG) e, é claro, o Oscar. E a primeira cerimônia já trouxe boas notícias para o cinema brasileiro: "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, foi escolhido o melhor filme internacional. 'Deboche' de Wagner Moura, looks inusitados e declaração amorosa: os momentos marcantes do Critics Choice Do Brasil: 'O agente secreto' vence o Critics Choice Awards 2026 de melhor filme internacional Ainda que a premiação tenha tido um gostinho de anticlímax, com o prêmio sendo entregue ainda no tapete vermelho, fora da transmissão oficial, a vitória foi muito importante e ajuda a dar ainda mais visibilidade ao longa, que desbancou "Foi apenas um acidente", de Jafar Panahi, apontado por muitos como favorito na categoria. O Critics Choice não tem interferência direta em premiações como o Oscar, afinal o colégio eleitoral é muito diferente, formado apenas por críticos, em sua maioria dos Estados Unidos e do Canadá. Já no Oscar, os membros são profissionais da própria indústria, como diretores, atores, roteiristas e as mais diversas funções. O Critics também não influencia no Globo de Ouro, cujo período de votação terminou um dia antes da cerimônia, no sábado (3). Apesar disso, é inegável que a cerimônia joga um holofote no filme. O fato do troféu ter sido entregue no tapete vermelho poderia atrapalhar, mas foi compensado pelo fato de que Kleber e Wagner Moura subiram ao palco para anunciar o prêmio principal da noite, melhor filme, que foi para "Uma batalha após a outra", de Paul Thomas Anderson. Wagner Moura no Critics Choice Awards 2026 Michael Tran / AFP A vitória no Critics também comprova o fato de "O agente secreto" ter caído no gosto da crítica internacional. O sucesso com profissionais da crítica vem desde maio, quando recebeu o prêmio de melhor filme pela crítica internacional, a Fipresci, no Festival de Cannes. Recentemente, o filme também conquistou a chamada trifecta, que é o termo usado para designar as três associações de críticos mais influentes dos EUA: New York Film Critics Circle (NYFCC), Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) e o National Society of Film Critics (NSFC). Se a conquista de melhor filme internacional foi positiva, a derrota de Wagner Moura na disputa de melhor ator não causa preocupação. Como dito, a premiação ainda é muito voltada para o cinema americano. As grandes chances do ator está no Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama, em que o brasileiro fugiu dos confrontos com Timothee Chalamet ("Marty Supreme") e Leonardo DiCaprio (“Uma batalha após a outra”), dois dos favoritos ao Oscar. A expectativa é que uma vitória de Wagner no Globo de Ouro possa criar onda parecida com a vivida com Fernanda Torres e "Ainda estou aqui" no ano passado. Wagner também saiu derrotado na disputa de melhor ator coadjuvante em série limitada, mas essa já era uma barbada. O jovem Owen Cooper, de "Adolescência", vinha conquistando todos os prêmios possíveis e não foi diferente no Critics. Outro brasileiro que deixou a cerimônia do Critics Choice Awards sorrindo foi Adolpho Veloso, premiado pela fotografia de "Sonhos de trem". O paulista vem sendo apontado como forte concorrente ao Oscar. Ainda não é possível dizer que "O agente secreto" é o favorito ao Oscar de melhor filme internacional. A categoria promete ser uma das mais disputadas com ano, com a presença de obras consagradas internacionalmente como o iraniano "Foi apenas um acidente", vencedor da Palma de Ouro, e o norueguês "Foi apenas um acidente". Mas se o filme não é favorito (ainda), uma coisa é certa: ele está longe de ser azarão. "O agente secreto" é um dos filmes da temporada. E nada que acontecer daqui para frente apagará isso.